A relação entre estas 3 variáveis está amplamente estudada nos meios académicos.
Ao ler a literatura é obvio que um excesso de regulação associado a um excesso de burocracia, conduz inevitavelmente a corrupção.
No entanto, em alguns estudos recentes que li, há um aspecto que considero merecer reflexão no nosso Portugal: a relação entre regulação, nivel de educação e desenvolvimento económico.
Muitos estudos consideram que para um certo nível de desenvolvimento económico e educação da população, há também um nível adequado de regulação. Se ultrapassamos esse nível, criamos condições para uma burocratização exagerada, que no final contribui para um aumento da corrupção.
De forma simples: quem quer controlar tudo, acaba por não controlar nada.
Comparando com as empresas. Um determinado gestor quer saber tudo o que acontece a todo o momento em todo o lado. Face à omnipresença ser uma impossibilidade, também este desejo se revela uma utopia.
Na gestão, o trabalho está em equilibrar o esforço com o ganho: o ganho que tenho em controlar uma determinada variável tem que ser superior ao custo de controlar essa variável. Assim, é pressuposto no trabalho da gestão, que há sempre um deteminado nível de descontrolo na vida da empresa, mas que em muitos casos acaba por ser o espaço onde surge a criatividade e reinvenção do próprio negócio.
De facto, ter mais informação e controlo é um bom objectivo. Mas há um ponto a partir do qual nos começamos a enganar a nós próprios, pois os metodos de recolha, tratamento e divulgação da informação, têm um custo tal, que ou caminhamos para a ruina financeira, ou a qualidade dessa informação começa a ser de tal modo má, que apenas nos induz em erro a um ponto tal, que tomariamos melhores decisões sem essa informação errada para nos enganar.
Esta deveria também ser a analise realizada constantemente num país. Avaliar, face à dimensão e "maturidade" do país, qual o nível de controlo e regulação em que os ganhos superam os custos.
Fiz um trabalho no passado para uma multinacional que se baseava na seguinte pergunta: será que o organigrama, processos e funções idealizados para os grandes países europeus se podem aplicar de igual modo nos pequenos? A pergunta baseava-se na experiência de mais de 40 países que integram as regiões da Europa, Médio Oriente e Africa. A resposta foi unânime: não!
E daí surgiu a segunda pergunta, já um pouco mais dificil de responder: como decidir que parte do modelo desenhado nos grandes países, pode e deve ser implementado nos pequenos?
O resultado surgiu do diálogo e colaboração de países tão distintos como Portugal, Bélgica, Austria ou Noruega.
A conclusão de todos era que por uma questão de escala, era impensável implementar tudo o que se pensa num grande país como a Alemanha ou Reino Unido, num destes pequenos países. Não só era inviável por não existirem pessoas em quantidade suficiente, como também por se tornar economicamente inviável a escala que tal implementação obrigaria.
Isto levou à construção de um modelo "dimensão vs maturidade", em que eram avaliadas um conjunto de variáveis relevantes que ajudavam a decidir o que fazia sentido implementar. As variáveis eram tão simples como: dimensão financeira da área a avaliar, nível de formação dos responsaveis pela implementação, peso do trabalho individual no processo, potencial de ganhos em termos de taxa de penetração no mercado, etc. Esta análise levava a que cada país identificasse um conjunto de áreas em que reunia condições excepcionais para fazer um bom trabalho, tornando-se um centro de excelencia para auxiliar os outros, conseguindo pela sua maturidade alcançar uma escala muito para além da sua dimensão.
Numa empresa este tipo de análise é obvia: deriva de uma avaliação simples de custo/beneficio.
Infelizmente, este tipo de análises nas organizações internacionais a que os países se filiam, ou até nos governos dos próprios países, são muito raras.
Isto porque infelizmente, temos pessoas muitas vezes mais preocupadas com o seu bem do que com o bem comum. Exemplo: um director de departamento que tem tanto mais peso na administração pública, quanto mais pessoas tiver para gerir, quando mais metros quadrados de escritorios controlar, e quando maior for o seu orçamento. Se estas são as variáveis de avaliação da sua importância, é muito facil este departamento começar a criar regras que o único resultado prático que produzem é complicar o seu próprio trabalho, conduzindo a um aumento das necessidades de pessoas, de metros quadrados de escritórios e em consequência das suas necessidades orçamentais.
Em Portugal sofremos de um excesso de regulação. Temos um volume de regras absurdo para a nossa dimensão (desenvolvimento económico) e maturidade (nível educacional). Isto conduz à criação de processos e formularios que se empatam uns aos outros, que se tornam tão complexos e dificeis de entender, que criam oportunidades de negócio para empresas especializadas em gerir estes processos, o que por sua vez, gera corrupção, quer por parte dos funcionários públicos que se ofereçem para ajudar a simplificar a vida a quem cai nesta malha, quer para as empresas que "aproveitam" estas oportunidades de negócio, fazendo algo muito semelhante ao que os "seguranças privados" ofereciam aos bares (ver noticias recentes de corrupção na policia).
As regras são tantas e tão entrelacadas, que só coheçê-las já representam um custo insustentável para uma pequena empresa. Sendo o papel do pequeno ou micro empresário dinamizar um determinado modelo de negócio, ele não é especializado em leis ou regulação. Para dormir descansado, terá que pagar a alguém (um advogado ou uma empresa de consultoria) para estar constantemente a descobrir que novas normas se lhe aplicam, e constantemente a gastar dinheiro para se adaptar.
Isto contribui para situações tão absurdas como:
- uma empresa bem "ligada", que conheça os meandros da burocracia publica, pode fechar concorrentes por denuncias de não cumprimento de certas regras que implicam multas de dezenas de milhares de euros;
- ou pode conseguir "legalizar-se" de forma muito "mais barata" que a maioria dos concorrentes, quer seja pelo simples não cumprimento das regras pelo conhecimento "profundo" dos mecanismos de fiscalização", quer seja pelo cumprimento por acessoria de "amigos especiais" a que um concorrente normal (não tão ligado" simplesmente não tem acesso;
- ou pode simplesmente ir existindo nas fronteiras da legalidade pela confiança na impossibilidade do estado em fiscalizar tudo aquilo que exige.
Alguém me dizia um dia: as organizações têm que ter o cuidado de não se transformarem numa daquelas senhoras que ficam tão grandes, que certo dia necessitarão de pagar alguém para lhes dizer se estão com comixão no dedo mindinho do pé...
Os estudos dizem também que após atingir um determinado volume de regulação, a redução desse volume só por si não significa uma redução da burocracia.
Daí, a minha sugestão de caminho, baseia-se numa outra frase que um dia ouvi: "um bom consultor difirencia-se dos restantes pela sua capacidade de tornar simples aos olhos do cidadão comum aquilo que a maioria considera complexo e dificil de compreender".
Esta deveria ser a métrica de avaliação da evolução das políticas e processos públicos com vista à construção de uma sociedade menos burocrática e menos corrupta: simplicicar, desmistificar os processos e as regras.
Aqui, os sistemas de informação têm um papel fundamental. Estes podem evitar repetições, e sedimentar conhecimentos e aprendisagens.
Tornando transparentes e simples os processos, aumentando o grau de automação online, construindo "wizards" e "online helps" escritos em "linguagem para criança de 6 anos entender", os sistemas de informação acabam por ser um investimento, um dinheiro gasto que trás beneficios a médio-longo prazo, e que retiram trabalho e ganhos aos burocratas e corruptos... isto claro, desde que sejam desenhados e implementados pelos "bons consultores", e guiados pelos principios da simplificação, desburocratização e transparencia dos processos.
Tudo isto traria um ganho adicional: libertar recursos na administração para a investigação, e inclusive tornar mais simples e transparente os processos de investigação.
Mas o facto actual é que Portugal é um país com um nível de desenvolvimento económico medíocre (notável poe exemplo na assimetria de rendimentos entre mais ricos e mais pobres típico de países sub-desenvolvidos), com um baixo nível educacional da população (explícito por exemplo nas taxas de penetração das artes e dos níveis de aquisição de livros), com um nível de regulação excessivo para a sua dimensão e maturidade, com um nivel de burocracia publica ainda a um nivel assustador, e com niveis de corrupção, entre os servidores publicos é certo, mas mais ainda entre as entidades privadas (tendencialmente monopolistas).
Só com uma liderança política séria, ética e transparente, efectivamente orientada pelo bem comum, é possível reverter esta situação.
Sugiro também a leitura do meu post Portugal, um país sem justiça, pois sem um sistema de justiça funcional (rápido e consistente), dificilmente a situação se inverterá.
Como conclusão, exemplo de regulamentações, mudanças inesperadas de regulamentação, burocracias e corrupção com que já tive que lidar:
- legislação de tratamento de residuos: temos que pagar a alguem para recolher, temos que escolher uma entidade de recolha certificada, temos que nos registar na entidade publica responsavel, temos que pagar as taxas desta entidade, e temos que implementar o processo de recolha de acordo com a legislação (sabem que por exemplo a recolha de pensos higienicos em casas de banho se enquadra nesta legislação??? Quantas empresas deitam estes "residuos" ao lixo misturados no lixo comum??? Ou seja, se houver alguém danado para vos tramar, e não tiverem no vosso micro-comercio um sistema de recolha, podem levar com multas substanciais.... Será que todos os nossos parceiros europeus são assim tão rigorosos???)
- legislação de protecção ambiental: deixar um carro velho estacionado num paque de terra batida é uma violação ambiental. Por isso, qualquer empresa que movimente ou armazene materiais passiveis de se infiltrar nos terrenos, deveria ter um sistema de protecção dos solos e recolha/tratamento de águas. (sabem que isto se aplica a uma pequena oficina de serralharia??? um profissional independente que trabalhe na sua garagem para sobreviver arrisca multas brutais por causa do risco de contaminação! Por isso é melhor que ele fique no desemprego a receber subsidios do estado e provavelmente a trabalhar em biscates à margem da lei, do que tenham um pequeno negocio. Ou no caso de uma pequena empresa, é melhor que mande os seus funcionários para o desemprego, e sepois esses trabalhos sejam fornecidos por empresas espanholas que não têm fiscais ambientais em cima delas por não terem protegido o chão de todas as areas exteriores da sua "unidade fabril" contra a infiltração das ferrugens?!?!?!?!
- legislação do audiovisual: sabem que têm que se registar em duas entidades para pagarem licenças sobre utilização do audiovisual? A dos autores e dos artistas. E se porventura apenas descobrirem isso algum tempo depois de terem aberto o vosso pequeno comercio, ou pagam tudo o que deveria ter sido pago no passado ou levam uma grande multa. Ou entao fazem como a grande maioria dos negocios: não se registam e nao pagam nada, porque na generalidade os fiscais vão aqueles que se registaram, e so vao a outros de houver uma denuncia.
- sabem que existe um regime simplificado para o licenciamento camarario? Mas que cabe as camaras municipais definir quais os aspectos que impetem um licenciamento de seguir o processo simplificado? E sabem que muitas camaras por exemplo obrigam ao processo normal (que nos ultimos anos tornaram ainda mais complicado) só por se alterar a localização de um esgoto (por exemplo por fazerem um "restyling" na casa de banho?!?!), e que se acharem que só modificar uma casa de banho não justifica, se arriscam a ser visitados por um fiscal muito mau que vos vai embrulhar a vida até ao absurdo?
- e sabem que se entrarem no regime normal de licenciamento camarario, arriscam-se ao absurdo de enquanto as burocracias da camara não despacharem o vosso processo, a que essa mesma camara crie novas obrigações para o vosso processo, e se vejam obrigado a andar a fazer novos "projectos" que entretanto passaram a ser necessarios ao abrigo do "novo regulamento", e que a dispensa dos mesmos depende da aprovação do "Sr. Director X" que não vos conheçe, e como não contrataram a empresa X para tratar do processo, têm que preencher o formulario Y, pagar a multa Z, esperar mais 1 ano, no qual apareçe uma nova regra...... mesmo no momento em que estavam quase a conseguir a dispensa do tal novo projecto?!?!?! Um exemplo deste absurdo, é ser obrigatório a execução de um projecto de segurança em obra, para uma obra já concluida à mais de 2 anos....
- e sabem que o licenciamento de equipamentos de raio-x foi modificado, exigindo por exemplo coisas tão interessantes como um serviço de dosimetria (são aqueles aparelhinhos que temos que levar no bolso quando visitamos um reactor nuclear e que mede o nivel de radiação a que fomos expostos), um serviço de medição de permeabilidade magnética nas paredes (para verificar que - por exemplo - num consultorio dentário, ao fazerem um raio-x ao seu dente, não contaminam o visinho), colocação de sinalética de aviso para que as pessoas saibam que podem estar expostas a radiações? E que agarrado a isto surgiram um montão de empresas que custam uns milhares de euros??? Eu na minha ignorancia acharia mais simples, por exemplo no caso dos consultorios dentarios, regular a actividade dos vendedores e instaladores deste tipo de equipamentos, e atraves do normal processo de manutenção que todos os equipamentos têm, verificar o seu correcto funcionamento. E tambem aqui, há os milhares que funcionam sem qualquer controlo... que se ninguem sabe que existem, ninguem controla.... a não ser que façam um grande inimigo que os denuncie... mas mesmo assim, não há a certeza de que não tenham um amigo que faça o processo desaparecer...
- E sabem que se tiverem um sistema informatico de facturação, mas em que armazenem informação pessoal dos vossos clientes têm a obrigação legal de registar a base de dados na Comissão Nacional de Protecção de Dados???
- E conhecem todas as obrigações de comunicação a ministérios das vossas actividades (ACT, finanças, segurança social, etc), e sabem que multas estão sujeitos de não cumprirem ou se atrazarem um dia???
Bem, eu podia estar aqui a tarde toda a descrever os absurdos do nosso sistema publico, mas o ponto é: acham que uma micro-empresa, com 5 ou 6 funcionários, com uma facturação anual que mal para um salário decente aos seus proprietários tem condições de saber tudo isto, de cumprir todas estas regras, ou de pagar alguém informado o suficiente sobre tudo isto para o proteger de riscos legais?
O que acaba por acontecer é que o sistema premeia o incumpridor, o esperto.
Pela impossibilidade material de cumprir, a realidade é:
- uns, que querem dormir descansados e cumprir todas as regras, incorrem em custos constantes e de tal maneira honerosos, que acabarm por se afundar perante a incapacidade de competir no mercado com essa estrutura de custos;
- outros simplesmente nem abrem para não ter problemas. É que a complicação é tão grande, com tantas regras e com tantas responsabilidades e multas, que meter-se nisto é arriscar acabar com a vida. E assim, se mada a livre iniciativa, o empreendedorismo e a possibilidade de pelo mérito pessoal melhorar de vida;
- outros simplesmente ignoram estes aspectos e vivem felizes até ao dia em que são fiscalizados;
- e por último, temos os outros que intencionalmente incumprem, evitando grandes investimentos ou compromissos de medio-longo prazo, sujeitando-se ou a sendo fiscalizados pagar a multa, ou simplesmente fechar e abrir noutro sitio, pois em muitas actividades isto é mais barato que cumprir.
É inaceitável este estado de coisas, e a realidade, no contexto das micro e pequenas empresas noutros países da união europeia, é muito mais tolerante.
Não só fomos demasiado bons alunos a importar demasiadas regras da europa demasiado depresa, como também fomos demasiado bons alunos a generalizar regras independentemente da dimensão e maturidade dos sectores de actividade. E assim, por um outro meio, ajudámos a "congelar" a nossa economia.
E assim, termino com o meu desabafo de micro-empresário saturado deste sistema que vive mais para dificultar, do que para ajudar, em que o sistema publico fica mais feliz por conseguir tramar alguém do que em ajudar alguém a ter sucesso e progredir.
É um problema de mentalidade! Existem excepções? Sim. Infelizmente não em quantidade suficiente.
Abraço,
Angatú!
Ter o próprio negócio é cada vez mais uma opção para aqueles que não conseguem encontrar opções satisfatórias no mercado de trabalho. Face à inexperiência, muitos começam por procurar oportunidades em franchising. Neste blog partilho a minha experiência enquanto franchisado, franchisador e observador atento das redes de franchising em Portugal, em contraponto com a minha experiência enquanto profissional em multinacionais de referência.
domingo, 12 de junho de 2011
terça-feira, 31 de maio de 2011
Portugal: a necessidade vital de produzir
Muito se tem escrito e comentado sobre a situação Portuguesa e o grave nível de endividamento que hoje amarra o país.
Não se tem dito tanto quanto seria necessário sobre a responsabilidade dos nossos "parceiros" na construção Europeia, acerca da sua responsabilidade na situação que Portugal e outros países periféricos hoje vivem.
Dizia um professor meu de "geo-política e geo-estratégia", participante de primeira linha na entrada de Portugal para a CEE - Comunidade Económica Europeia (infelizmente falecido recentemente): "a principal motivação dos países do centro da Europa para o convite à adesão de países como Portugal, baseava-se na necessidade de abrir novos mercados à colocação dos seus produtos, e por essa forma, sustentar o aumento do nível de vida dos seus eleitores baseado num crescimento acentuado da sua balança comercial".
Dizia ainda ele, que à data, os países do sul da Europa, apresentavam indices de fertilidade (filhos por mulher) muito acima da média do centro da Europa, e uma estrutura produtiva obsoleta e incapaz de competir num mercado aberto. Com estes aspectos combinados, tais países representavam uma excelente oportunidade: pela subsidiação da melhoria do nível de vida das suas populações, e na expectativa de manutenção das taxas de fertilidade observadas, esses países observariam melhorias substanciais do seu nível de vida, abrindo oportunidades de consumo para as forças produtivas dos países fundadores da CEE.
A médio prazo, e no pressuposto da manutenção desses índices de fertilidade, o boom do consumo interno alavancaria um sector de serviços (necessariamente de proximidade) que sustentariam as necessidades de emprego desses países, concentrando-se a força produtiva nos países fundadores da CEE, mais capacitados industrialmente, mais modernos e cada vez com maiores economias de escala.
Do lado de Portugal, a expectativa de muitos governantes à data, embora não podesse ser publicamente assumida por questões nacionalistas e eleitorais, era que a Europa caminhasse no caminho Federativo, em que mecanismos de compensação financeira dos países produtores garantiriam o equilibrio das contas nacionais dos "estados federados" consumidores.
Podemos dizer, que esta situação agradaria a gregos e troianos!
O que ninguém esperava eram 3 coisas:
- que com a melhoria do nível de vida, o indice de fertilidade nos novos paises da união evoluisse no mesmo sentido já observado nos países mais desenvolvidos do centro da Europa, ou seja, que caísse a pique a níveis inferiores aos observados no norte e centro da Europa, e que com esta queda, o esperado boom populacional que alavancaria um consumo interno nesses países a médio prazo, não se viria a verificar;
- que os países que subsidiaram a morte da generalidade dos sectores produtivos nos novos países aderentes, perante a evidencia do descréscimo populacional, se refutassem ao pagamento da factura da dependencia criada;
- que ao longo da construção europeia, os governantes actuais, meros burocratas desprovidos de uma visão de europa e da capacidade de a defender, fossem oscilando nas opções políticas de circunstancia, esquecendo o que no inicio fez ambos os lados desejar esta união: os países periféricos, e os países do centro da Europa.
No processo de construção Europeia, Portugal foi demasiado bom aluno, sendo "mais fundamentalista que o Pápa". Internamente foram criadas mais barreiras à produção que na generalidade dos países Europeus, e foi-se mais ´longe na liberalização do livre transito de pessoas e bens que na generalidade dos estados Europeus.
Nós, enquanto país sub-desenvolvido e despreparado para competir nas áreas que representavam o maior volume da nossa economia, abrimos a porta à entrada livre do produtores europeus, matando aquilo que as politicas comunitárias não tinham ainda determinado à morte.
Desde a política agrícula comum, as cotas de pescas, os concursos publicos internacionais, a importação de todas as regras e normas de instalação e operação das empresas preparadas numa europa central de grande escala e que levou ao encerramento por incumprimento de inúmeras pequenas e micro-empresas nacionais...
Outros, como por exemplo a nossa visinha Espanha, foram piores alunos. É do conhecimento geral que as empresas, governo central e autonomias Espanholas, criam imensas barreiras à entrada de empresas estrangeiras. Encontraram-se maneiras criativas de garantir que as unicas empresas capazes de ganhar os consursos eram na generalidade empresas espanholas. Piores alunos ainda, foram os países fundadores, que ditaram regras, que nas suas componentes restritivas foram mais rapidamente implementadas e adoptadas nos pequenos países desejantes de mostrar bons alunos, do que nos grandes fundadores que deveriam ser o exemplo.
Como conslusão deste diagnóstico, dou-vos a seguinte pergunta: já fizeram uma análise comparativa entre a evolução das balanças comerciais cruzadas entre os diversos países Europeus??? Apenas uma dica: observem a relação entre a evolução positiva por exemplo da balança comercial Alemã e a Grega...
Não querendo criar cisões na União Europeia, não consigo deixar de que os Portugueses se endividaram a consumir produtos produzidos na Alemanha, contribuindo assim para a melhoria dos níveis de vida dos cidadãos deste último país.
Mas os Portugueses coitadinhos são apenas umas vítimas??? Não! Também fizeram por si muitas opções erradas. Mas a situação em que se encontram tem muita resposabilidade dos países do centro da Europa. Esses países levaram-nos ao colo a esta situação, e nós deixámos.
Esta situação era previsivel, e muitos alertaram para ela em Portugal. Lembro-me de multiplos comentários na década de 90 acerca das consequências nefastas a médio prazo, que as opções tomadas representariam. Havia a expectativa dos principais líderes políticos, que os mecanismos de solidariedade da União (entendam-se fundos europeus - ou de forma mais simplista o dinheiro injectado pela união para subsidiar o nosso consumo) fossem sendo ajustados à nova realidade.
A demografia lixou isto tudo. O país não pára de envelhecer, a população estagnou havendo cada vez menos nascimentos, isto pôs uma pressão extrema sobre os sistemas de saúde e segurança social, e com a ajuda de um despesismo despropositado no betão, arruinou de vez as nossas contas.
E agora, a solidariedade Europeia deu-nos um "toma la!". Os governantes Europeus de hoje, expostos ao excrutínio em tempo real na Internet, já não podem dizer uma coisa dentro dos seus países, e depois fazer outra na União Europeia. Agora tudo o que dizem influencia a sua capacidade de atrair os votos internos, e afinal são os seus cidadãos nacionais que os elegem. Ainda por cima, com o déficit de lideres que a europa observa, em que proliferam os burocratas, só podia dar a situação em que hoje a Europa se encontra.
Estamos numa verdadeira encruzilhada e esta encruzilhada coloca apenas uma pergunta:
- queremos todos nós europeus continuar no caminho de construção de uma Federação de Estados, tal como sonhado pelos políticos fundadores?
Se sim, o caminho terá obrigatoriamente por aprofundar os mecanismos da União, por exemplo garantindo a cobertura total das dívidas soberanas dos países periféricos.
Se não, vejo a entrada irreversível num caminho de desmembramento da união "pan-europeia", e o resurgimento de tensões entre ricos e probres.
No meio disto tudo, uma coisa é certa. Ninguém resolverá os nossos problemas por nós, e não acho aconselhável ficarmos à espera que nos continuem a pagar para não produzir nada... pois já sabemos que mais cedo ou mais tarde nos apresentarão a factura.
Na nossa adesão à união, matámos a vaca, e ficamos sem o leite. Neste momento é imperativo que voltemos a ter vacas.
Ou seja, destruimos tudo o que tinhamos de produtivo nos sectores primário e secundário por uns dinheiros, que rapidamente se acabaram. Agora que percebemos os erros que cometemos, o caminho inevitável é investir sem hesitações na recuperação de todo o tecido produtivo e transformador, e criar o máximo de barreiras à entrada de produtos que internamente tenhamos capacidade de produzir.
Aqui temos o garrote do empréstimo que estamos a negociar, que exige a redução ainda maior das limitações à livre concorrencia trans-nacional....
Teremos simplesmente que ser tão criativos como a nossa visinha Espanha tem sido.
Uma ideia: porque não o governo Português apenas autorizar a aquisição de viaturas fabricadas em unidades de produção nacionais??? Passavamos todos a andar de carritos que até são jeitosos, e garantiamos que o absurdo que hoje o estado gasta em carros produzidos no centro da europa contribui para a melhoria do nível de mais Portugueses que apenas os vendedores de autómóveis.
Uns dirão que não podemos fazer isso. Eu digo que precisamos de ser criativos no sentido de encontrar uma maneira de o fazer acontecer.
Outra ideia: em vez de pagar "Rendimentos Mínimos" a quem está sem actividade profissional, porque não pagar-lhe esse mesmo subsídio com a condição de trabalhar em produções agrícolas?
Temos que deixar de ser os bons alunos apenas naquilo que é para nos tramar, para espartilhar as pequenas empresas em burocracias asfixiantes e desproporcionadas. Temos também que ser bons alunos nos meios de, dentro das liberdades das regras existentes, promover o fazer florescer o que é nacional.
Se os nossos "parceiros europeus" não querem pagar as nossas dívidas, terão obrigatoriamente que fechar os olhos a estas coisas, pois não há outro modo de nos tirar desta espiral negativa que enquanto países entrámos.
Obrigar ao empobrecimento das populações periféricas, dará espaço ao surgimento de movimentos radicais nacionalistas e ao surgimento de tensões dentro da união, que na história passada geraram conflictos épicos. Não acredito que haja uma terceira guerra mundial a começar na Europa, mas acredito que se nada for feito, com o rumo actual de acontecimentos, caminharemos para uma situação de guerrilhas localizadas, aumento da violencia e do crime, insurgimentos populares, que inevitavelmente colocarão nos governos dos países partidos nacionalistas e radicais.
Será que os nossos parceiros do Centro da Europa qerem pagar para ver?
Abraço!
Angatú
Não se tem dito tanto quanto seria necessário sobre a responsabilidade dos nossos "parceiros" na construção Europeia, acerca da sua responsabilidade na situação que Portugal e outros países periféricos hoje vivem.
Dizia um professor meu de "geo-política e geo-estratégia", participante de primeira linha na entrada de Portugal para a CEE - Comunidade Económica Europeia (infelizmente falecido recentemente): "a principal motivação dos países do centro da Europa para o convite à adesão de países como Portugal, baseava-se na necessidade de abrir novos mercados à colocação dos seus produtos, e por essa forma, sustentar o aumento do nível de vida dos seus eleitores baseado num crescimento acentuado da sua balança comercial".
Dizia ainda ele, que à data, os países do sul da Europa, apresentavam indices de fertilidade (filhos por mulher) muito acima da média do centro da Europa, e uma estrutura produtiva obsoleta e incapaz de competir num mercado aberto. Com estes aspectos combinados, tais países representavam uma excelente oportunidade: pela subsidiação da melhoria do nível de vida das suas populações, e na expectativa de manutenção das taxas de fertilidade observadas, esses países observariam melhorias substanciais do seu nível de vida, abrindo oportunidades de consumo para as forças produtivas dos países fundadores da CEE.
A médio prazo, e no pressuposto da manutenção desses índices de fertilidade, o boom do consumo interno alavancaria um sector de serviços (necessariamente de proximidade) que sustentariam as necessidades de emprego desses países, concentrando-se a força produtiva nos países fundadores da CEE, mais capacitados industrialmente, mais modernos e cada vez com maiores economias de escala.
Do lado de Portugal, a expectativa de muitos governantes à data, embora não podesse ser publicamente assumida por questões nacionalistas e eleitorais, era que a Europa caminhasse no caminho Federativo, em que mecanismos de compensação financeira dos países produtores garantiriam o equilibrio das contas nacionais dos "estados federados" consumidores.
Podemos dizer, que esta situação agradaria a gregos e troianos!
O que ninguém esperava eram 3 coisas:
- que com a melhoria do nível de vida, o indice de fertilidade nos novos paises da união evoluisse no mesmo sentido já observado nos países mais desenvolvidos do centro da Europa, ou seja, que caísse a pique a níveis inferiores aos observados no norte e centro da Europa, e que com esta queda, o esperado boom populacional que alavancaria um consumo interno nesses países a médio prazo, não se viria a verificar;
- que os países que subsidiaram a morte da generalidade dos sectores produtivos nos novos países aderentes, perante a evidencia do descréscimo populacional, se refutassem ao pagamento da factura da dependencia criada;
- que ao longo da construção europeia, os governantes actuais, meros burocratas desprovidos de uma visão de europa e da capacidade de a defender, fossem oscilando nas opções políticas de circunstancia, esquecendo o que no inicio fez ambos os lados desejar esta união: os países periféricos, e os países do centro da Europa.
No processo de construção Europeia, Portugal foi demasiado bom aluno, sendo "mais fundamentalista que o Pápa". Internamente foram criadas mais barreiras à produção que na generalidade dos países Europeus, e foi-se mais ´longe na liberalização do livre transito de pessoas e bens que na generalidade dos estados Europeus.
Nós, enquanto país sub-desenvolvido e despreparado para competir nas áreas que representavam o maior volume da nossa economia, abrimos a porta à entrada livre do produtores europeus, matando aquilo que as politicas comunitárias não tinham ainda determinado à morte.
Desde a política agrícula comum, as cotas de pescas, os concursos publicos internacionais, a importação de todas as regras e normas de instalação e operação das empresas preparadas numa europa central de grande escala e que levou ao encerramento por incumprimento de inúmeras pequenas e micro-empresas nacionais...
Outros, como por exemplo a nossa visinha Espanha, foram piores alunos. É do conhecimento geral que as empresas, governo central e autonomias Espanholas, criam imensas barreiras à entrada de empresas estrangeiras. Encontraram-se maneiras criativas de garantir que as unicas empresas capazes de ganhar os consursos eram na generalidade empresas espanholas. Piores alunos ainda, foram os países fundadores, que ditaram regras, que nas suas componentes restritivas foram mais rapidamente implementadas e adoptadas nos pequenos países desejantes de mostrar bons alunos, do que nos grandes fundadores que deveriam ser o exemplo.
Como conslusão deste diagnóstico, dou-vos a seguinte pergunta: já fizeram uma análise comparativa entre a evolução das balanças comerciais cruzadas entre os diversos países Europeus??? Apenas uma dica: observem a relação entre a evolução positiva por exemplo da balança comercial Alemã e a Grega...
Não querendo criar cisões na União Europeia, não consigo deixar de que os Portugueses se endividaram a consumir produtos produzidos na Alemanha, contribuindo assim para a melhoria dos níveis de vida dos cidadãos deste último país.
Mas os Portugueses coitadinhos são apenas umas vítimas??? Não! Também fizeram por si muitas opções erradas. Mas a situação em que se encontram tem muita resposabilidade dos países do centro da Europa. Esses países levaram-nos ao colo a esta situação, e nós deixámos.
Esta situação era previsivel, e muitos alertaram para ela em Portugal. Lembro-me de multiplos comentários na década de 90 acerca das consequências nefastas a médio prazo, que as opções tomadas representariam. Havia a expectativa dos principais líderes políticos, que os mecanismos de solidariedade da União (entendam-se fundos europeus - ou de forma mais simplista o dinheiro injectado pela união para subsidiar o nosso consumo) fossem sendo ajustados à nova realidade.
A demografia lixou isto tudo. O país não pára de envelhecer, a população estagnou havendo cada vez menos nascimentos, isto pôs uma pressão extrema sobre os sistemas de saúde e segurança social, e com a ajuda de um despesismo despropositado no betão, arruinou de vez as nossas contas.
E agora, a solidariedade Europeia deu-nos um "toma la!". Os governantes Europeus de hoje, expostos ao excrutínio em tempo real na Internet, já não podem dizer uma coisa dentro dos seus países, e depois fazer outra na União Europeia. Agora tudo o que dizem influencia a sua capacidade de atrair os votos internos, e afinal são os seus cidadãos nacionais que os elegem. Ainda por cima, com o déficit de lideres que a europa observa, em que proliferam os burocratas, só podia dar a situação em que hoje a Europa se encontra.
Estamos numa verdadeira encruzilhada e esta encruzilhada coloca apenas uma pergunta:
- queremos todos nós europeus continuar no caminho de construção de uma Federação de Estados, tal como sonhado pelos políticos fundadores?
Se sim, o caminho terá obrigatoriamente por aprofundar os mecanismos da União, por exemplo garantindo a cobertura total das dívidas soberanas dos países periféricos.
Se não, vejo a entrada irreversível num caminho de desmembramento da união "pan-europeia", e o resurgimento de tensões entre ricos e probres.
No meio disto tudo, uma coisa é certa. Ninguém resolverá os nossos problemas por nós, e não acho aconselhável ficarmos à espera que nos continuem a pagar para não produzir nada... pois já sabemos que mais cedo ou mais tarde nos apresentarão a factura.
Na nossa adesão à união, matámos a vaca, e ficamos sem o leite. Neste momento é imperativo que voltemos a ter vacas.
Ou seja, destruimos tudo o que tinhamos de produtivo nos sectores primário e secundário por uns dinheiros, que rapidamente se acabaram. Agora que percebemos os erros que cometemos, o caminho inevitável é investir sem hesitações na recuperação de todo o tecido produtivo e transformador, e criar o máximo de barreiras à entrada de produtos que internamente tenhamos capacidade de produzir.
Aqui temos o garrote do empréstimo que estamos a negociar, que exige a redução ainda maior das limitações à livre concorrencia trans-nacional....
Teremos simplesmente que ser tão criativos como a nossa visinha Espanha tem sido.
Uma ideia: porque não o governo Português apenas autorizar a aquisição de viaturas fabricadas em unidades de produção nacionais??? Passavamos todos a andar de carritos que até são jeitosos, e garantiamos que o absurdo que hoje o estado gasta em carros produzidos no centro da europa contribui para a melhoria do nível de mais Portugueses que apenas os vendedores de autómóveis.
Uns dirão que não podemos fazer isso. Eu digo que precisamos de ser criativos no sentido de encontrar uma maneira de o fazer acontecer.
Outra ideia: em vez de pagar "Rendimentos Mínimos" a quem está sem actividade profissional, porque não pagar-lhe esse mesmo subsídio com a condição de trabalhar em produções agrícolas?
Temos que deixar de ser os bons alunos apenas naquilo que é para nos tramar, para espartilhar as pequenas empresas em burocracias asfixiantes e desproporcionadas. Temos também que ser bons alunos nos meios de, dentro das liberdades das regras existentes, promover o fazer florescer o que é nacional.
Se os nossos "parceiros europeus" não querem pagar as nossas dívidas, terão obrigatoriamente que fechar os olhos a estas coisas, pois não há outro modo de nos tirar desta espiral negativa que enquanto países entrámos.
Obrigar ao empobrecimento das populações periféricas, dará espaço ao surgimento de movimentos radicais nacionalistas e ao surgimento de tensões dentro da união, que na história passada geraram conflictos épicos. Não acredito que haja uma terceira guerra mundial a começar na Europa, mas acredito que se nada for feito, com o rumo actual de acontecimentos, caminharemos para uma situação de guerrilhas localizadas, aumento da violencia e do crime, insurgimentos populares, que inevitavelmente colocarão nos governos dos países partidos nacionalistas e radicais.
Será que os nossos parceiros do Centro da Europa qerem pagar para ver?
Abraço!
Angatú
sábado, 30 de abril de 2011
Dados sobre o endividamento público Português (Crítica Política)
Num momento tão delicado como o que se vive em Portugal, é impossível ficar indiferente à mentira que alguns dos nossos políticos anunciam nos telejornais em horário nobre.
Estamos numa situação dramática!
Uma mentira repetida muitas vezes, e dita com convicção, começa a parecer-se uma verdade. Quem mais atentamente se dá ao trabalho de ler os textos e declarações em formato integral, a partir das quais alguns partidos criam "casos" que depois os telejornais reproduzem repetidamente, percebe que na maior parte dos casos, trata-se de extrair uma palavra ou uma frase do seu contexto, tirando-lhe todo o significado que efectivamente o seu autor lhe deu.
Estamos no tempo dos sms!!! Transmitir uma mensagem em menos de 160 caracteres, Aquelas coisas antiquadas que aprendíamos nas aulas de Português do secundário, como analisar o contexto, ler a introdução, desenvolvimento e conclusão, hoje estão completamente abandonadas e ignoradas, por políticos e jornalistas.
E assim, num atropelo vergonhoso à nossa língua Portuguesa, riquíssima por natureza, em que uma mesma palavra se torna objecto de múltiplas interpretações consoante o contexto em que está inserida, hoje se faz política e se noticía em Portugal.
A minha professora de Português do 7º ao 9º deve estar à beira da loucura ao ver como está o país na sua utilização do Português por alguns dos seus actores mais visíveis.
Envergonham-me aqueles políticos e jornalistas que se perverteram à comunicação SMS (apenas 160 caracteres...), e constroem contextos consoante lhes convém:
- seja para criar um caso político;
- seja para desdizer uma barbaridade que um seu colega de partido tenha dito;
- seja para destruir a imagem pública de um seu inimigo;
- ou seja de um jornalista que apenas quer ter o seu minuto de fama ao construir ou divulgar em primeiro lugar um título bombástico;
- seja do realizador televisivo, que recorta habilmente a informação que recebe, numa postura puramente sensacionalista à procura das tão procuradas receitas de publicidade, pondo na gaveta o papel superior do jornalismo de informar.
Vivemos de pequenas frases, que se dizem desprovidas de contexto, e depois rapidamente se esquecem, sem que nunca hajam responsabilidades pelo seu modo de transmissão, mesmo que tenham deixado a imagem pública completamente contrária aos factos que efectivamente foram comunicados pelo autor.
E assim se manipula e constrói uma opinião pública. Baseada em títulos de jornais, e pequenos momentos. Uns intencionalmente porque querem ganhar a sua guerra política ou económica a todo o custo, outros por uma pura mediocridade e necessidade de viver a grande velocidade, fazendo o seu jornalismo focado nas receitas e não na verdade dos factos.
Independente da opinião pessoal que se possa ter sobre qualquer dos nossos políticos, temos um Primeiro Ministro, que seja por mau aconselhamento, seja por simples incompetência, ou por intenção, nos tem vindo a mentir.
Já escrevia sobre isso quando foi anunciado nos telejornais pelo nosso actual Primeiro Ministro que Portugal tinha saído da crise, pois tinha tido um crescimento superior a 1% no primeiro trimestre de 2010. À data, fui ler o boletim económico do Banco de Portugal, e fiquei pasmo com o que li. Um Primeiro Ministro tem a obrigação de estar mais informado e melhor assessorado que eu. E eu nunca, jamais, com base no boletim económico do Banco de Portugal relativo ao primeiro trimestre de 2010, faria uma declaração pública como a que à data foi feita pelo nosso primeiro ministro, anunciando o fim da crise.
Esta "extrapolação da realidade" (para não lhe chamar mentira), é ainda mais grave quando vínhamos de um 2009 em que se aumentou funcionários públicos e se baixou IVA, e passamos para um verão de 2010 em que se tem que aumentar os impostos!
Não escolho uns nem outros, mas creio que chegou o momento de escolher uma opção para Portugal diferente das opções que nos governaram nos últimos 30 anos. Está na hora da terceira via: surpreender o sistema político e os políticos que têm tomado o poder como garantido, com uma votação superior ao esperado num dos pequenos partidos.
Sou patriota, ligado à minha terra, e motivado pelo reconhecimento do mérito.
Temo que a desinformação produto da utilização hábil por uns desta cultura de noticias SMS, leve a que uma parte substancial da nossa população, alimentada pelos títulos dos jornais, nem sempre reprodutores fieis das realidades que lhes deram origem, e desanimada com a falta de capacidade de comunicação de outros, acabem por tomar um sentido de voto que dê continuidade à mentira em que temos vivido nos últimos anos.
Não consigo ficar indiferente! Deixo aqui em anexo um documento que me enviaram para vossa reflexão, e espero assim contribuir para evitar uma derrocada ainda maior neste nosso Portugal.
Compare Você Mesmo Quem Mais Endividou o País
Abraço,
Angatú
Estamos numa situação dramática!
Uma mentira repetida muitas vezes, e dita com convicção, começa a parecer-se uma verdade. Quem mais atentamente se dá ao trabalho de ler os textos e declarações em formato integral, a partir das quais alguns partidos criam "casos" que depois os telejornais reproduzem repetidamente, percebe que na maior parte dos casos, trata-se de extrair uma palavra ou uma frase do seu contexto, tirando-lhe todo o significado que efectivamente o seu autor lhe deu.
Estamos no tempo dos sms!!! Transmitir uma mensagem em menos de 160 caracteres, Aquelas coisas antiquadas que aprendíamos nas aulas de Português do secundário, como analisar o contexto, ler a introdução, desenvolvimento e conclusão, hoje estão completamente abandonadas e ignoradas, por políticos e jornalistas.
E assim, num atropelo vergonhoso à nossa língua Portuguesa, riquíssima por natureza, em que uma mesma palavra se torna objecto de múltiplas interpretações consoante o contexto em que está inserida, hoje se faz política e se noticía em Portugal.
A minha professora de Português do 7º ao 9º deve estar à beira da loucura ao ver como está o país na sua utilização do Português por alguns dos seus actores mais visíveis.
Envergonham-me aqueles políticos e jornalistas que se perverteram à comunicação SMS (apenas 160 caracteres...), e constroem contextos consoante lhes convém:
- seja para criar um caso político;
- seja para desdizer uma barbaridade que um seu colega de partido tenha dito;
- seja para destruir a imagem pública de um seu inimigo;
- ou seja de um jornalista que apenas quer ter o seu minuto de fama ao construir ou divulgar em primeiro lugar um título bombástico;
- seja do realizador televisivo, que recorta habilmente a informação que recebe, numa postura puramente sensacionalista à procura das tão procuradas receitas de publicidade, pondo na gaveta o papel superior do jornalismo de informar.
Vivemos de pequenas frases, que se dizem desprovidas de contexto, e depois rapidamente se esquecem, sem que nunca hajam responsabilidades pelo seu modo de transmissão, mesmo que tenham deixado a imagem pública completamente contrária aos factos que efectivamente foram comunicados pelo autor.
E assim se manipula e constrói uma opinião pública. Baseada em títulos de jornais, e pequenos momentos. Uns intencionalmente porque querem ganhar a sua guerra política ou económica a todo o custo, outros por uma pura mediocridade e necessidade de viver a grande velocidade, fazendo o seu jornalismo focado nas receitas e não na verdade dos factos.
Independente da opinião pessoal que se possa ter sobre qualquer dos nossos políticos, temos um Primeiro Ministro, que seja por mau aconselhamento, seja por simples incompetência, ou por intenção, nos tem vindo a mentir.
Já escrevia sobre isso quando foi anunciado nos telejornais pelo nosso actual Primeiro Ministro que Portugal tinha saído da crise, pois tinha tido um crescimento superior a 1% no primeiro trimestre de 2010. À data, fui ler o boletim económico do Banco de Portugal, e fiquei pasmo com o que li. Um Primeiro Ministro tem a obrigação de estar mais informado e melhor assessorado que eu. E eu nunca, jamais, com base no boletim económico do Banco de Portugal relativo ao primeiro trimestre de 2010, faria uma declaração pública como a que à data foi feita pelo nosso primeiro ministro, anunciando o fim da crise.
Esta "extrapolação da realidade" (para não lhe chamar mentira), é ainda mais grave quando vínhamos de um 2009 em que se aumentou funcionários públicos e se baixou IVA, e passamos para um verão de 2010 em que se tem que aumentar os impostos!
Não escolho uns nem outros, mas creio que chegou o momento de escolher uma opção para Portugal diferente das opções que nos governaram nos últimos 30 anos. Está na hora da terceira via: surpreender o sistema político e os políticos que têm tomado o poder como garantido, com uma votação superior ao esperado num dos pequenos partidos.
Sou patriota, ligado à minha terra, e motivado pelo reconhecimento do mérito.
Temo que a desinformação produto da utilização hábil por uns desta cultura de noticias SMS, leve a que uma parte substancial da nossa população, alimentada pelos títulos dos jornais, nem sempre reprodutores fieis das realidades que lhes deram origem, e desanimada com a falta de capacidade de comunicação de outros, acabem por tomar um sentido de voto que dê continuidade à mentira em que temos vivido nos últimos anos.
Não consigo ficar indiferente! Deixo aqui em anexo um documento que me enviaram para vossa reflexão, e espero assim contribuir para evitar uma derrocada ainda maior neste nosso Portugal.
Compare Você Mesmo Quem Mais Endividou o País
Abraço,
Angatú
quarta-feira, 27 de abril de 2011
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Portugal - um país sem Justiça
Portugal, um país sem justiça, um país de terceiro mundo.
É inacreditável e inadmissível o que se passa em Portugal.
Estudos na área da economia concluem que o principal factor de crescimento em países desenvolvidos é a eficácia do sistema de justiça, contrariamente aos países em vias de desenvolvimento em que o factor primordial de crescimento é o investimento directo estrangeiro.
Porquê? Simples, porque num país em vias de desenvolvimento ainda é possível encontrar múltiplos sectores subdesenvolvidos, ou segmentos do mercado não endereçados por nenhum player. Assim, a entrada no país para empresas externas é muito apetecível pois encontram um campo quase virgem para desenvolverem o seu negócio, com relativamente poucas barreiras.
Já num mercado desenvolvido, tendencialmente caminha-se para uma saturação da oferta, tornando mais difícil a entrada de novos players, sendo que o crescimento já não se faz cavalgando no crescimento do próprio país e no amadurecimento do seu mercado, mas faz-se antes pelo roubo de cotas de mercado entre os diferentes concorrentes, e pela optimização das estruturas operacionais das empresas instaladas.
Assim, num mercado desenvolvido, práticas ilegais, anticoncorrenciais, corrupção, etc, acabam por distorcer de forma muito mais gravosa as condições de sucesso de qualquer empresa. Se para além do risco de conseguir montar uma estratégia e uma operação que consiga competir nesse mercado desenvolvido, os promotores tiverem que estar também preocupados com a possibilidade de alguém a atropelo das leis existentes lhes tramar a vida e sair impune, o risco torna-se incomportável, pois quem investe internacionalmente, tem todos os países do mundo para escolher entrar, e certamente encontrará opções de menos risco que um mercado decadente, saturado, e em que a justiça não funciona.
Exemplos:
Se alguém faz uma queixa num qualquer organismo público sobre uma irregularidade cometida por uma empresa no mercado, há que considerar as seguintes questões:
- Em Portugal, a lei criminal só se enquadra em crimes cometidos por pessoas, pelo que as práticas ilícitas cometidas pelas empresas têm sempre que ser objecto de colocação de uma acção em tribunal;
- Havendo uma queixa a uma qualquer entidade reguladora ou fiscalizadora do estado, na generalidade dos casos essa queixa é arquivada, por exemplo por: "face à escassez de recursos, não há neste momento condições de prosseguir com uma investigação", isto porque em quase todas as entidades os recursos de investigação são mínimos, e focados nos casos de televisão, pelo que a pequena empresa está literalmente entregue aos bichos;
- Conforme referido no meu post O custo da Justiça ao serviço dos incumpridores, os players locais muitas vezes armadilham os contratos de forma a dificultarem ao máximo o recurso à justiça, tornando incomportável o seu recurso por parte de muitas pequenas empresas;
- E mesmo que consiga colocar uma acção num tribunal cível, as certezas que tem são as mesmas de quem joga na roleta russa, pois já por diversas vezes observei juízes num mesmo tribunal, perante casos similares, tomarem decisões diametralmente opostas, ou seja, a incerteza quanto à interpretação da lei (face à excessiva produção de leis em Portugal), em que o emaranhado de textos e publicações é tal que ninguém consegue enquadrar a totalidade das inter-relações entre diferentes leis para uma mesma situação, dá espaço para que os incumpridores encontrem sempre um artigo ou um ponto qualquer que possa encerrar o processo, seja por questões administrativas, seja pela arbitrariedade das interpretações realizadas pelos diversos juízes ao serviço nos tribunais.
Ou seja, nós temos um mercado desenvolvido, decadente e saturado, em que as regras não funciona, é cada um por si, e quem vence é o mais forte, mais ligado politicamente ou mais capacitado financeiramente.
Alguém me consegue explicar como é que neste contexto se convence alguém a investir em Portugal??? Só mesmo os loucos que aqui nasceram, e ainda alimentam a esperança de ter aqui um futuro, no entanto a emigração entre as gerações abaixo dos 40, e sobretudo nos mais qualificados não para de subir.
Eu posso referir, que a título pessoal, tenho já a grande maioria dos meus amigos pessoais espalhados pelo mundo, e todos os dias sou surpreendido com outros que encerram as suas empresas, vendem todos os seus bens, e terminam todos os seus laços financeiros e fiscais com Portugal, de forma a se libertarem para definitivamente abraçarem a vida num outro país no mundo que lhes permita crescer pelo seu mérito, algo quase impossível neste momento em Portugal.
Alguém tem que por mão nisto! Se não é o presidente da república, o governo também não, nem a assembleia da república, não sei que esperança nos resta, pois também não será certamente o FMI e a Comissão Europeia que virão governar Portugal. Entraremos numa irremediável espiral de empobrecimento e esvaziamento do país, levando a uma nova onda massiva de emigração, continuando Portugal com uma População praticamente estagnada ou decrescente já à mais de 1 século.
Só Deus, neste momento para impedir que este fatalismo se confirme.
Quanto ao que é prioritário em Portugal??? A JUSTIÇA !!! Para que se responsabilizem os políticos que nos roubaram e levaram à ruptura através dos previlégios concedidos aos seus "amigos", para que haja confiança entre a população e entre os investidores, para que quem pensar em vir para cá furar as regras e ganhar na guerra de selva que hoje é Portugal tomando opções sem sustentabilidade mude de ideias face à forte possibilidade de ser efectivamente penalizado, para que se crie uma cultura de mérito no trabalho em que os individuos sem qualquer mérito, perguiçosos e oportunistas não se vejam protegidos pelo paternalismo estúpido e cego do estado e pelo emaranhado exagerado de regras, em que umas de contradizem as outras de modo a que todos os "espertos" ganhem.
Assim, deixo-vos o que deveria ser a minha prioridade:
- simplificação, e consolidação de toda a estrutura legislativa Portuguesa, evitando excessivas interdependencias e inter-relações entre todo o que de legislação de produz, num caminho de clara e inequivoca responsabilização dos intervenientes;
- alocação de recursos qualificados, mas também sujeitos a uma criteriosa avaliação, as forças de investigação das diversas autoridades legais e regulamentares, e simplificação do enquadramento legal da sua actividade de forma a que não se arquivem e perdam processos por questões técnicas;
- simplificar todos os processos de justiça, não permitindo mais que o processo de sobreponha à justiça, impedindo que aqueles manifestamente culpados se safem por pequenas questões técnicas;
- criar um real sistema de avaliação das decisões judiciais por um tribunal superior, que faça essa avaliação não apenas quando as partes recorrem, mas que o façam como parte de um processo contínuo de auditoria, avaliação da qualidade das decisões, avaliação de desempenho, e uniformização das interpretações da legislação, que por sua vez tenha também a responsabilidade de emitir sugestões aos legisladores no sentido da clarificação e simplificação da legislação, sempre que ela for dúbia ou propícia a interpretações opostas.
Fica aqui mais um contributo para que este país ganhe rumo, e recupere a sua honra e respeitabilidade, e faça assim justiça à sua história.
Abraço,
Angatu
É inacreditável e inadmissível o que se passa em Portugal.
Estudos na área da economia concluem que o principal factor de crescimento em países desenvolvidos é a eficácia do sistema de justiça, contrariamente aos países em vias de desenvolvimento em que o factor primordial de crescimento é o investimento directo estrangeiro.
Porquê? Simples, porque num país em vias de desenvolvimento ainda é possível encontrar múltiplos sectores subdesenvolvidos, ou segmentos do mercado não endereçados por nenhum player. Assim, a entrada no país para empresas externas é muito apetecível pois encontram um campo quase virgem para desenvolverem o seu negócio, com relativamente poucas barreiras.
Já num mercado desenvolvido, tendencialmente caminha-se para uma saturação da oferta, tornando mais difícil a entrada de novos players, sendo que o crescimento já não se faz cavalgando no crescimento do próprio país e no amadurecimento do seu mercado, mas faz-se antes pelo roubo de cotas de mercado entre os diferentes concorrentes, e pela optimização das estruturas operacionais das empresas instaladas.
Assim, num mercado desenvolvido, práticas ilegais, anticoncorrenciais, corrupção, etc, acabam por distorcer de forma muito mais gravosa as condições de sucesso de qualquer empresa. Se para além do risco de conseguir montar uma estratégia e uma operação que consiga competir nesse mercado desenvolvido, os promotores tiverem que estar também preocupados com a possibilidade de alguém a atropelo das leis existentes lhes tramar a vida e sair impune, o risco torna-se incomportável, pois quem investe internacionalmente, tem todos os países do mundo para escolher entrar, e certamente encontrará opções de menos risco que um mercado decadente, saturado, e em que a justiça não funciona.
Exemplos:
Se alguém faz uma queixa num qualquer organismo público sobre uma irregularidade cometida por uma empresa no mercado, há que considerar as seguintes questões:
- Em Portugal, a lei criminal só se enquadra em crimes cometidos por pessoas, pelo que as práticas ilícitas cometidas pelas empresas têm sempre que ser objecto de colocação de uma acção em tribunal;
- Havendo uma queixa a uma qualquer entidade reguladora ou fiscalizadora do estado, na generalidade dos casos essa queixa é arquivada, por exemplo por: "face à escassez de recursos, não há neste momento condições de prosseguir com uma investigação", isto porque em quase todas as entidades os recursos de investigação são mínimos, e focados nos casos de televisão, pelo que a pequena empresa está literalmente entregue aos bichos;
- Conforme referido no meu post O custo da Justiça ao serviço dos incumpridores, os players locais muitas vezes armadilham os contratos de forma a dificultarem ao máximo o recurso à justiça, tornando incomportável o seu recurso por parte de muitas pequenas empresas;
- E mesmo que consiga colocar uma acção num tribunal cível, as certezas que tem são as mesmas de quem joga na roleta russa, pois já por diversas vezes observei juízes num mesmo tribunal, perante casos similares, tomarem decisões diametralmente opostas, ou seja, a incerteza quanto à interpretação da lei (face à excessiva produção de leis em Portugal), em que o emaranhado de textos e publicações é tal que ninguém consegue enquadrar a totalidade das inter-relações entre diferentes leis para uma mesma situação, dá espaço para que os incumpridores encontrem sempre um artigo ou um ponto qualquer que possa encerrar o processo, seja por questões administrativas, seja pela arbitrariedade das interpretações realizadas pelos diversos juízes ao serviço nos tribunais.
Ou seja, nós temos um mercado desenvolvido, decadente e saturado, em que as regras não funciona, é cada um por si, e quem vence é o mais forte, mais ligado politicamente ou mais capacitado financeiramente.
Alguém me consegue explicar como é que neste contexto se convence alguém a investir em Portugal??? Só mesmo os loucos que aqui nasceram, e ainda alimentam a esperança de ter aqui um futuro, no entanto a emigração entre as gerações abaixo dos 40, e sobretudo nos mais qualificados não para de subir.
Eu posso referir, que a título pessoal, tenho já a grande maioria dos meus amigos pessoais espalhados pelo mundo, e todos os dias sou surpreendido com outros que encerram as suas empresas, vendem todos os seus bens, e terminam todos os seus laços financeiros e fiscais com Portugal, de forma a se libertarem para definitivamente abraçarem a vida num outro país no mundo que lhes permita crescer pelo seu mérito, algo quase impossível neste momento em Portugal.
Alguém tem que por mão nisto! Se não é o presidente da república, o governo também não, nem a assembleia da república, não sei que esperança nos resta, pois também não será certamente o FMI e a Comissão Europeia que virão governar Portugal. Entraremos numa irremediável espiral de empobrecimento e esvaziamento do país, levando a uma nova onda massiva de emigração, continuando Portugal com uma População praticamente estagnada ou decrescente já à mais de 1 século.
Só Deus, neste momento para impedir que este fatalismo se confirme.
Quanto ao que é prioritário em Portugal??? A JUSTIÇA !!! Para que se responsabilizem os políticos que nos roubaram e levaram à ruptura através dos previlégios concedidos aos seus "amigos", para que haja confiança entre a população e entre os investidores, para que quem pensar em vir para cá furar as regras e ganhar na guerra de selva que hoje é Portugal tomando opções sem sustentabilidade mude de ideias face à forte possibilidade de ser efectivamente penalizado, para que se crie uma cultura de mérito no trabalho em que os individuos sem qualquer mérito, perguiçosos e oportunistas não se vejam protegidos pelo paternalismo estúpido e cego do estado e pelo emaranhado exagerado de regras, em que umas de contradizem as outras de modo a que todos os "espertos" ganhem.
Assim, deixo-vos o que deveria ser a minha prioridade:
- simplificação, e consolidação de toda a estrutura legislativa Portuguesa, evitando excessivas interdependencias e inter-relações entre todo o que de legislação de produz, num caminho de clara e inequivoca responsabilização dos intervenientes;
- alocação de recursos qualificados, mas também sujeitos a uma criteriosa avaliação, as forças de investigação das diversas autoridades legais e regulamentares, e simplificação do enquadramento legal da sua actividade de forma a que não se arquivem e perdam processos por questões técnicas;
- simplificar todos os processos de justiça, não permitindo mais que o processo de sobreponha à justiça, impedindo que aqueles manifestamente culpados se safem por pequenas questões técnicas;
- criar um real sistema de avaliação das decisões judiciais por um tribunal superior, que faça essa avaliação não apenas quando as partes recorrem, mas que o façam como parte de um processo contínuo de auditoria, avaliação da qualidade das decisões, avaliação de desempenho, e uniformização das interpretações da legislação, que por sua vez tenha também a responsabilidade de emitir sugestões aos legisladores no sentido da clarificação e simplificação da legislação, sempre que ela for dúbia ou propícia a interpretações opostas.
Fica aqui mais um contributo para que este país ganhe rumo, e recupere a sua honra e respeitabilidade, e faça assim justiça à sua história.
Abraço,
Angatu
segunda-feira, 28 de março de 2011
Empresas Portuguesas em Saldos
É isto mesmo!
Se lerem o meu post anterior (Focar no que podemos controlar), comentarão muitos ao ler a introdução desse artigo, que realmente a maioria dos pequenos e micro-empresários Portugueses estão numa situação muito difícil.
É que a realidade das pequenas e micro-empresas, é de empresas com uma estrutura de capitais frágil, que necessitou de se endividar fortemente na banca para conseguir abrir, o que no contexto actual, representa uma pressão extrema sobre o negócio.
Neste momento, um investidor com uma forte base de capitais próprios, encontrará em Portugal dezenas de pequenos empresários dispostos a vender as suas empresas a preço de saldo, pois estão numa situação de liquidez crítica, e o sistema financeiro simplesmente não tem condições para assumir mais risco.
Têm negócios com EBITA positivo, mas sobretudo nos casos de empresas com poucos anos de vida, ainda estão a amortizar o investimento (na maioria dos casos financiado entre 5 a 7 anos), o que na situação actual é sufocante, e leva muitos deles, para não falhar as obrigações bancárias, a falhar com fornecedores, ou a reduzir custos essenciais para as suas empresas, levando-as à ruptura por excesso de desinvestimento.
São negócios que num contexto de estabilização poderão apresentar rentabilidades muito interessantes, e cuja principal fragilidade é o acesso ao capital. Pelo que esta oportunidade de saldos de bons negócios está também limitada à janela entre o momento actual, e o momento em que conseguirem liquidar as suas dívidas derivadas do investimento inicial.
Assim, podemos dizer que Portugal está em saldos!
O preço de uma falência para um micro-empresário em Portugal é muito caro, pois apesar da legislação comercial que limita o risco financeiro ao capital social da empresa, dificilmente se realizam transacções de vulto (sobretudo com bancos e estado, mas também com alguns fornecedores), sem que se imponha como condição que os sócios da empresa entrem como avalistas. O que significa, numa situação de ruptura, o pequeno empresário ser liminarmente condenado à miséria, pois não tem direito a qualquer apoio social, perde todos os seus bens, não pode ter empréstimos bancários por 5 anos após o encerramento do processo de falência periodo ao longo do qual verá ainda penhorado até um terço dos seus rendimentos para pagamento das dividas.
Não é portanto de se estranhar, que aqueles que perante a situação explosiva em que Portugal se encontra se vêm hoje no limite, e olham para o futuro com o receio de dias ainda piores, estejam quase dispostos a doar as cotas das suas sociedades para salvarem os seus tectos!
A grande oportunidade é para quem quiser aproveitar este momento para fazer grandes consolidações em segmentos do mercado muito fragmentados, conseguindo posicionar-se como líder à escala nacional a um custo minimizado.
O grande desafio, é conhecer bem os fundamentais do negócio em que se pretende investir, para que a avaliação da contabilidade da empresa alvo de compra seja feita de forma correcta, e minimizando os riscos para o investidor. Isto é ainda mais importante para investidores estrangeiros!
Sim, sei de diversos sectores em que se formaram grupos de investimento com parceiros Portugueses e capitais estrangeiros, e que hoje procuram em Portugal compras de saldo para a criação de um grupo empresarial, consolidando o sector em causa.
É pena que em Portugal o espírito associativo seja tão pobre, em que os pequenos empresários preferem falir a partilhar o poder e a decisão com alguém. Senão, poderia ser este o caminho alternativo! Quem já opera no mercado nacional, associar-se aos seus concorrentes indirectos (no consumo, em negócios de loja de bairro, o concorrente a 20km de distancia não concorre directamente pelos mesmos clientes, pelo que se poderiam associar). Aqui tornam-se fundamentais boas práticas de "corporate governance" que infelizmente também não abundam em Portugal.
Há também a assinalar um grupo reduzido de empresas que conheço, que têm aproveitado esta oportunidade para reorganizar as suas empresas, espremendo-lhes todos os custos supérfluos, e preparando-as para o momento em que chegar o novo ciclo de crescimento. Pena mis uma vez, que no contexto das micro e pequenas empresas, e sobretudo nos sectores ligados ao consumo (serviços e produtos), estas sejam uma minoria.
Em resumo e conclusão, como em todas as situações extremas, as dificuldades são muitas, mas elas também criam muitas oportunidades. Este é um momento que transforma mercados, e quem estiver atento, e conseguir mobilizar a capacidade financeira para isso, poderá fazer excelentes negócios em Portugal!
Também, será um momento decisivo para por à prova as reais competências de gestão dos responsáveis pelas empresas. Num contexto destes, purga-se também o trigo do joio, e valida-se quem efectivamente tem uma prática de gestão sustentável.
Afinal o país não vai desaparecer do mapa! Vai passar por um processo de ajuste de nível de vida violento que poderá levar anos, o que irá baixar o nível médio de vida da maioria dos Portugueses, mas as pessoas vão continuar a viver.
Face ao enorme número de leitores estrangeiros que este blog já mobiliza, deixo-vos uma referência de uma empresa que sei estar a fazer um bom trabalho no auxílio a investidores estrangeiros que procuram oportunidades em Portugal para compra de micro e pequenas empresas. Visitem http://www.pmeconsulting.biz/ e peçam uma primeira avaliação.
Abraço a todos,
Angatu!
Se lerem o meu post anterior (Focar no que podemos controlar), comentarão muitos ao ler a introdução desse artigo, que realmente a maioria dos pequenos e micro-empresários Portugueses estão numa situação muito difícil.
É que a realidade das pequenas e micro-empresas, é de empresas com uma estrutura de capitais frágil, que necessitou de se endividar fortemente na banca para conseguir abrir, o que no contexto actual, representa uma pressão extrema sobre o negócio.
Neste momento, um investidor com uma forte base de capitais próprios, encontrará em Portugal dezenas de pequenos empresários dispostos a vender as suas empresas a preço de saldo, pois estão numa situação de liquidez crítica, e o sistema financeiro simplesmente não tem condições para assumir mais risco.
Têm negócios com EBITA positivo, mas sobretudo nos casos de empresas com poucos anos de vida, ainda estão a amortizar o investimento (na maioria dos casos financiado entre 5 a 7 anos), o que na situação actual é sufocante, e leva muitos deles, para não falhar as obrigações bancárias, a falhar com fornecedores, ou a reduzir custos essenciais para as suas empresas, levando-as à ruptura por excesso de desinvestimento.
São negócios que num contexto de estabilização poderão apresentar rentabilidades muito interessantes, e cuja principal fragilidade é o acesso ao capital. Pelo que esta oportunidade de saldos de bons negócios está também limitada à janela entre o momento actual, e o momento em que conseguirem liquidar as suas dívidas derivadas do investimento inicial.
Assim, podemos dizer que Portugal está em saldos!
O preço de uma falência para um micro-empresário em Portugal é muito caro, pois apesar da legislação comercial que limita o risco financeiro ao capital social da empresa, dificilmente se realizam transacções de vulto (sobretudo com bancos e estado, mas também com alguns fornecedores), sem que se imponha como condição que os sócios da empresa entrem como avalistas. O que significa, numa situação de ruptura, o pequeno empresário ser liminarmente condenado à miséria, pois não tem direito a qualquer apoio social, perde todos os seus bens, não pode ter empréstimos bancários por 5 anos após o encerramento do processo de falência periodo ao longo do qual verá ainda penhorado até um terço dos seus rendimentos para pagamento das dividas.
Não é portanto de se estranhar, que aqueles que perante a situação explosiva em que Portugal se encontra se vêm hoje no limite, e olham para o futuro com o receio de dias ainda piores, estejam quase dispostos a doar as cotas das suas sociedades para salvarem os seus tectos!
A grande oportunidade é para quem quiser aproveitar este momento para fazer grandes consolidações em segmentos do mercado muito fragmentados, conseguindo posicionar-se como líder à escala nacional a um custo minimizado.
O grande desafio, é conhecer bem os fundamentais do negócio em que se pretende investir, para que a avaliação da contabilidade da empresa alvo de compra seja feita de forma correcta, e minimizando os riscos para o investidor. Isto é ainda mais importante para investidores estrangeiros!
Sim, sei de diversos sectores em que se formaram grupos de investimento com parceiros Portugueses e capitais estrangeiros, e que hoje procuram em Portugal compras de saldo para a criação de um grupo empresarial, consolidando o sector em causa.
É pena que em Portugal o espírito associativo seja tão pobre, em que os pequenos empresários preferem falir a partilhar o poder e a decisão com alguém. Senão, poderia ser este o caminho alternativo! Quem já opera no mercado nacional, associar-se aos seus concorrentes indirectos (no consumo, em negócios de loja de bairro, o concorrente a 20km de distancia não concorre directamente pelos mesmos clientes, pelo que se poderiam associar). Aqui tornam-se fundamentais boas práticas de "corporate governance" que infelizmente também não abundam em Portugal.
Há também a assinalar um grupo reduzido de empresas que conheço, que têm aproveitado esta oportunidade para reorganizar as suas empresas, espremendo-lhes todos os custos supérfluos, e preparando-as para o momento em que chegar o novo ciclo de crescimento. Pena mis uma vez, que no contexto das micro e pequenas empresas, e sobretudo nos sectores ligados ao consumo (serviços e produtos), estas sejam uma minoria.
Em resumo e conclusão, como em todas as situações extremas, as dificuldades são muitas, mas elas também criam muitas oportunidades. Este é um momento que transforma mercados, e quem estiver atento, e conseguir mobilizar a capacidade financeira para isso, poderá fazer excelentes negócios em Portugal!
Também, será um momento decisivo para por à prova as reais competências de gestão dos responsáveis pelas empresas. Num contexto destes, purga-se também o trigo do joio, e valida-se quem efectivamente tem uma prática de gestão sustentável.
Afinal o país não vai desaparecer do mapa! Vai passar por um processo de ajuste de nível de vida violento que poderá levar anos, o que irá baixar o nível médio de vida da maioria dos Portugueses, mas as pessoas vão continuar a viver.
Face ao enorme número de leitores estrangeiros que este blog já mobiliza, deixo-vos uma referência de uma empresa que sei estar a fazer um bom trabalho no auxílio a investidores estrangeiros que procuram oportunidades em Portugal para compra de micro e pequenas empresas. Visitem http://www.pmeconsulting.biz/ e peçam uma primeira avaliação.
Abraço a todos,
Angatu!
quarta-feira, 23 de março de 2011
Focar no que podemos controlar
No actual contexto político e económico Português, é normal que um pequeno empresário se sinta traído pelo seu país.
Fez um plano de negócio, projectou custos e receitas, endividou-se na banca, e neste momento vê a procura no seu pequeno negócio a cair, vê dificuldade em reduzir os custos pois planeou o negócio para uma determinada estrutura de funcionamento (horários, diversidade de serviços oferecidos, localização), vê os juros bancários a subir, vê os impostos a aumentar...
É sem dúvida um momento extremamente desafiante para se ser pequeno ou micro-empresário em Portugal.
O que podemos fazer? Eu creio que mais que o diagnóstico da situação, com que somos bombardeados todos os dias nos média, esta é a pergunta que se faz necessário responder, pelo que vos deixo aqui o meu contributo.
A primeira coisa a fazer é ter consciência de que não somos os únicos a viver esta situação. Muitas empresas em Portugal hoje vivem este drama, e por isso vemos empresas a fechar todos os dias. E quais as que sobrevivem? Dizia um amigo meu em 2005 numa determinada circunstancia da minha vida pessoal em que estava extremamente frustrado: "Não são os melhores nem os mais competentes que irão sobreviver a esta situação, serão sim os mais resistentes e que melhor se adaptarem as mudanças".
Ao ouvir isto, eu como um purista e perfeccionista, dizia: "para fazer mal, mais vale não fazer!"
Hoje digo-vos, que não só me lembro muito das palavras dele, como as entendo perfeitamente. Há coisas em tudo aquilo que fazemos que são obrigatórias, e outras que são acessórias. É verdade que muitas das coisas acessórias melhoram e acrescentam valor, mas em tempos de crise temos que eliminar tudo o que é acessório para conseguirmos continuar a produzir e sobreviver.
Portanto, vamos lá à minha receita!
O que não posso controlar?
- se o governo cai;
- se as taxas de juro (euribor) sobem;
- se o país consegue pagar a divida externa;
- se a Europa se desintegra;
- se os impostos sobem;
- se o desemprego nacional sobre;
- etc...
O que posso controlar:
- se as pessoas ao serviço na minha empresa mantêm um sorriso ao atender os nossos clientes mesmo em tempo de crise;
- se apesar da crise, asseguramos que aquilo que o cliente comprou continua a ser entregue dentro dos parâmetros de qualidade normais no mercado;
- se os meus clientes conhecem bem os meus serviços;
- se na zona onde estou instalado, a população conhece a minha empresa;
- que custos na vida da empresa não têm influencia directa na degradação dos parâmetros de qualidade dos serviços entregues;
- o que posso renegociar com fornecedores em termos de descontos adicionais ou aumento de prazos de pagamento;
- se existem fornecedores substitutos que estejam a oferecer melhores condições;
- se estou a diferenciar-me perante os meus concorrentes mais directos;
- se os clientes que atendo vão satisfeitos e me recomendam;
- etc...
Ou seja, o grande desafio passa por controlar aquilo que posso controlar, e evitar encher a minha cabeça com coisas que não posso controlar.
"O que está perdido, perdido está". Por isso, se o país continuar a afundar-se, o país entrará em bancarrota: o empresário ficará sem nada; o banco ficará com incobráveis; o estrado deixará de receber impostos e ainda terá que suportar os desempregados; os fornecedores ficarão aflitos pois não só perderam um cliente como ainda por cima ficaram com dívidas incobráveis...
Ninguém quer que o país rebente! É verdade que se está a esticar a corda para além dos limites, mas se o destino for o caos, a única coisa que podemos fazer é tentar que nós sejamos os que mais tempo demorarão a morrer (entenda-se falir). Quanto mais tempo conseguirmos manter o nosso negócio a operar em condições de qualidade, mais oportunidades teremos de ver a confiança dos consumidores reemergir, a economia voltar a crescer, o desemprego cair, e o nosso negócio voltar a florescer.
A pergunta na cabeça de muitos é: "pois mais eu acho que não aguento nem 6 meses".
E a isso respondo-vos: façam tudo hoje que for possível por reduzir os custos e maximizar a vossa receita e melhorar a vossa reputação junto dos clientes. Que os poucos que ainda compram, que escolham a vossa empresa. Que todas as despesas que não se traduzem numa mais-valia relevante no serviço ao cliente (ou seja, coisas que o cliente esteja disposto a pagar mais para ter), têm que ser cortadas.
E mesmo que tal custe aos funcionários, creio que todos preferem que a empresa continue a operar em condições mais "magras" do que simplesmente entre em colapso sob o peso de custos acessórios.
Talvez se surpreendam, e daqui a um ano ainda estejam vivos.
Que muitas empresas fecharão??? Não tenho a mínima dúvida, mas algumas sobreviverão. Que as vossas estejam entre elas, e aí, face à falta de oferta (pelo fecho dos vossos concorrentes), a vossa boa reputação, estarão prontos para agarrar todas as oportunidades que um mercado em recuperação representa.
Ninguém tem que ser 100% bom, pois de facto ninguém é. Todos de uma ou outra forma cometem erros.
Este é um facto inerente a sermos humanos! Todos erramos.
Por isso, temos apenas que nos concentrar em ser um pouquinho melhores que os nossos concorrentes mais directos. Se todas as empresas à vossa volta são "muito piores", e verificarem que estão a perder clientes porque são muito caros, cortem, cortem e cortem, em tudo o que for acessório, e coloquem-se a um preço, em que as pessoas pensem: por esta pequena diferença, não vale a pena arriscar. Prefiro ir aquele que tem uma excelente reputação.
Também não entrem numa guerra de preços, pois isso não favorece ninguém. Garantam apenas que o vosso preço reflecte a qualidade da vossa oferta, mas em alinhamento com a realidade em que estão inseridos.
O que acham? Enviem-me as vossas ideias e comentários!
Abraço,
Angatu
Fez um plano de negócio, projectou custos e receitas, endividou-se na banca, e neste momento vê a procura no seu pequeno negócio a cair, vê dificuldade em reduzir os custos pois planeou o negócio para uma determinada estrutura de funcionamento (horários, diversidade de serviços oferecidos, localização), vê os juros bancários a subir, vê os impostos a aumentar...
É sem dúvida um momento extremamente desafiante para se ser pequeno ou micro-empresário em Portugal.
O que podemos fazer? Eu creio que mais que o diagnóstico da situação, com que somos bombardeados todos os dias nos média, esta é a pergunta que se faz necessário responder, pelo que vos deixo aqui o meu contributo.
A primeira coisa a fazer é ter consciência de que não somos os únicos a viver esta situação. Muitas empresas em Portugal hoje vivem este drama, e por isso vemos empresas a fechar todos os dias. E quais as que sobrevivem? Dizia um amigo meu em 2005 numa determinada circunstancia da minha vida pessoal em que estava extremamente frustrado: "Não são os melhores nem os mais competentes que irão sobreviver a esta situação, serão sim os mais resistentes e que melhor se adaptarem as mudanças".
Ao ouvir isto, eu como um purista e perfeccionista, dizia: "para fazer mal, mais vale não fazer!"
Hoje digo-vos, que não só me lembro muito das palavras dele, como as entendo perfeitamente. Há coisas em tudo aquilo que fazemos que são obrigatórias, e outras que são acessórias. É verdade que muitas das coisas acessórias melhoram e acrescentam valor, mas em tempos de crise temos que eliminar tudo o que é acessório para conseguirmos continuar a produzir e sobreviver.
Portanto, vamos lá à minha receita!
O que não posso controlar?
- se o governo cai;
- se as taxas de juro (euribor) sobem;
- se o país consegue pagar a divida externa;
- se a Europa se desintegra;
- se os impostos sobem;
- se o desemprego nacional sobre;
- etc...
O que posso controlar:
- se as pessoas ao serviço na minha empresa mantêm um sorriso ao atender os nossos clientes mesmo em tempo de crise;
- se apesar da crise, asseguramos que aquilo que o cliente comprou continua a ser entregue dentro dos parâmetros de qualidade normais no mercado;
- se os meus clientes conhecem bem os meus serviços;
- se na zona onde estou instalado, a população conhece a minha empresa;
- que custos na vida da empresa não têm influencia directa na degradação dos parâmetros de qualidade dos serviços entregues;
- o que posso renegociar com fornecedores em termos de descontos adicionais ou aumento de prazos de pagamento;
- se existem fornecedores substitutos que estejam a oferecer melhores condições;
- se estou a diferenciar-me perante os meus concorrentes mais directos;
- se os clientes que atendo vão satisfeitos e me recomendam;
- etc...
Ou seja, o grande desafio passa por controlar aquilo que posso controlar, e evitar encher a minha cabeça com coisas que não posso controlar.
"O que está perdido, perdido está". Por isso, se o país continuar a afundar-se, o país entrará em bancarrota: o empresário ficará sem nada; o banco ficará com incobráveis; o estrado deixará de receber impostos e ainda terá que suportar os desempregados; os fornecedores ficarão aflitos pois não só perderam um cliente como ainda por cima ficaram com dívidas incobráveis...
Ninguém quer que o país rebente! É verdade que se está a esticar a corda para além dos limites, mas se o destino for o caos, a única coisa que podemos fazer é tentar que nós sejamos os que mais tempo demorarão a morrer (entenda-se falir). Quanto mais tempo conseguirmos manter o nosso negócio a operar em condições de qualidade, mais oportunidades teremos de ver a confiança dos consumidores reemergir, a economia voltar a crescer, o desemprego cair, e o nosso negócio voltar a florescer.
A pergunta na cabeça de muitos é: "pois mais eu acho que não aguento nem 6 meses".
E a isso respondo-vos: façam tudo hoje que for possível por reduzir os custos e maximizar a vossa receita e melhorar a vossa reputação junto dos clientes. Que os poucos que ainda compram, que escolham a vossa empresa. Que todas as despesas que não se traduzem numa mais-valia relevante no serviço ao cliente (ou seja, coisas que o cliente esteja disposto a pagar mais para ter), têm que ser cortadas.
E mesmo que tal custe aos funcionários, creio que todos preferem que a empresa continue a operar em condições mais "magras" do que simplesmente entre em colapso sob o peso de custos acessórios.
Talvez se surpreendam, e daqui a um ano ainda estejam vivos.
Que muitas empresas fecharão??? Não tenho a mínima dúvida, mas algumas sobreviverão. Que as vossas estejam entre elas, e aí, face à falta de oferta (pelo fecho dos vossos concorrentes), a vossa boa reputação, estarão prontos para agarrar todas as oportunidades que um mercado em recuperação representa.
Ninguém tem que ser 100% bom, pois de facto ninguém é. Todos de uma ou outra forma cometem erros.
Este é um facto inerente a sermos humanos! Todos erramos.
Por isso, temos apenas que nos concentrar em ser um pouquinho melhores que os nossos concorrentes mais directos. Se todas as empresas à vossa volta são "muito piores", e verificarem que estão a perder clientes porque são muito caros, cortem, cortem e cortem, em tudo o que for acessório, e coloquem-se a um preço, em que as pessoas pensem: por esta pequena diferença, não vale a pena arriscar. Prefiro ir aquele que tem uma excelente reputação.
Também não entrem numa guerra de preços, pois isso não favorece ninguém. Garantam apenas que o vosso preço reflecte a qualidade da vossa oferta, mas em alinhamento com a realidade em que estão inseridos.
O que acham? Enviem-me as vossas ideias e comentários!
Abraço,
Angatu
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Até onde aguentam as empresas
Ouvia estes dias nas notícias sobre Portugal:
- o desemprego bateu recordes históricos no 4º trimestre de 2010;
- a violência dos cortes do estado e o pânico nos consumidores está a levar o consumo privado a valores mínimos, tendo o ajustamento do mercado sido quase instantâneo sentido com grande violência no comercio;
- a população não para de envelhecer e contrair-se, levando a demografia a índices que comprometem qualquer crescimento sustentável
PIB= Consumo Privado + Consumo Publico + Exportações - Importações
Consumo Privado = Número de Consumidores x Consumo por pessoa
Consumo por pessoa = rendimento disponível x (1-indice de poupança)
(as minhas desculpas por alguma pequena incorrecção, mas esta não é a minha área de especialidade)
- a maioria das empresas exportadoras, aquelas que fazem o maior volume, não têm verdadeiros diferenciadores competitivos que lhes permita sustentar a sua posição num mercado cada vez mais globalizado, crescendo ou circunstancialmente ou em nichos que não fazem o volume que como país necessitamos para crescer saudavelmente por pelo menos uma década;
- os Portugueses consomem muito pouco de produção nacional, e esta também não para de cair nos bens essenciais;
- as condições de financiamento das pequenas e médias empresas têm vindo a degradar-se significativamente, sendo neste momento o crédito disponível escasso.
E nós ficamos a pensar, mas que desgraça!!! Será?
Há sempre duas perspectivas sobre estas notícias.
A primeira é que a situação em Portugal é de facto realmente muito grave. Sobretudo no comércio, onde as quebras no consumo são efectivamente violentas.
Mas se ainda estamos abertos ao público, poderemos ver o outro lado. Pensemos no mercado de acções. O segredo para grandes ganhos está em conseguir perceber quando um título que está em queda, está prestes a inverter essa tendência. Portanto comprar ou no fim da queda ou no início da subida é o grande desafio.
Alguém me dizia, ao ouvir estas péssimas notícias com que comecei o meu post de hoje, que estamos enquanto economia a chegar a este ponto de inversão.
Daí, se enquanto empresas tivermos condições para manter as portas abertas ao público mais uns meses, e tivermos conseguido manter um bom padrão de serviço e qualidade, provavelmente estaremos a caminho de finalmente poder respirar um pouco de uma queda de mercado que já vem desde 2006 sempre a acentuar-se.
A grande questão na cabeça de muitos é que neste momento já estão com resultados negativos, muitos já se estão a financiar em fornecedores para aguentar, e perguntam-se até onde vai o consumo contrair, quanto mais vão observar de reduções de facturação e por quanto mais tempo, e até que ponto conseguirão sobreviver. Já há muitos a fechar, e daí os fornecedores ou fecham mais as condições de pagamento para se proteger (caso tenham uma dimensão de mercado que lhes permita isso), ou arriscam-se a que com a quebra das empresas de consumo, haja um efeito dominó e fechem empresas em sequência nos segmentos B2B.
Com algumas economias do centro da Europa a dar sinais muito positivos, na medida em que Portugal exporta muito para essas economias, devermos começar a observar um crescimento das encomendas ao longo do primeiro semestre de 2011, que se traduzirá efectivamente em resultados no segundo semestre, o que deverá fazer com que Portugal feche 2011 efectivamente com resultados negativos, mas já numa rota de crescimento que deverá trazer o dinheiro ao bolso dos consumidores em 2012 e também ai finalmente o aliviar das condições das empresas de consumo.
Neste processo teremos, em minha opinião, a inversão da curva, e associado a isso, a concretização mais violenta da lei de Darwin: a selecção natural.
Isto levará a resistência e capacidade de adaptação das empresas para além de todos os limites, mas deixa-lhes a provocação de que se conseguirem, poderem apreciar o prémio de reinar num mercado em recuperação, com menos concorrentes que tinha à alguns anos atrás, e vir a apreciar um ciclo de alguns anos de crescimento. Claro, se forem um dos sobreviventes.
Se eu estiver errado e este ano não foi o ano da inversão da curva............ ai Portugal onde vais tu parar...... o futuro será negro, pois do que observo a estrutura económica e social está a chegar aos seus limites de resistência.
Claro que no meio disto tudo, criam-se excelentes oportunidades para quem tiver muito capital líquido para investir! Pois com o sufoco da quebra do consumo e pressão dos encargos bancários, há imensas empresas interessantes à beira da ruptura apenas por problemas de tesouraria.
Bem, uma coisa é certa: os próximos meses serão de muitas decisões. Que haja uma visão de país que nos conduza a todos num caminho de sustentabilidade, que olhando para a equação do PIB, não é difícil para qualquer leigo perceber que terá obrigatoriamente que passar por:
- aumento do consumo privado mas sem recurso a dívida externa;
- continuidade da contracção do consumo público para controlo do endividamento externo;
- continuação da aposta nas exportações como alavanca a um acelerar do crescimento;
- aumento da poupança nacional com vista a alavancar mais consumo privado sem que tenhamos endividamento externo;
- aumento da produção nacional, para suster um crescimento do consumo e uma redução das importações;
- ajudava um forte crescimento demográfico para termos mais cabeças a consumir e ser mais interessante produzir no mercado interno.
Com tudo isto, aqueles que como eu possuem empresas de comércio ou serviços para consumidores, poderiam efectivamente acreditar que haverá condições para evitar a emigração e envelhecer em Portugal e manter um negócio saudável.
O que acham?
Abraço e boas leituras!
Angatu
- o desemprego bateu recordes históricos no 4º trimestre de 2010;
- a violência dos cortes do estado e o pânico nos consumidores está a levar o consumo privado a valores mínimos, tendo o ajustamento do mercado sido quase instantâneo sentido com grande violência no comercio;
- a população não para de envelhecer e contrair-se, levando a demografia a índices que comprometem qualquer crescimento sustentável
PIB= Consumo Privado + Consumo Publico + Exportações - Importações
Consumo Privado = Número de Consumidores x Consumo por pessoa
Consumo por pessoa = rendimento disponível x (1-indice de poupança)
(as minhas desculpas por alguma pequena incorrecção, mas esta não é a minha área de especialidade)
- a maioria das empresas exportadoras, aquelas que fazem o maior volume, não têm verdadeiros diferenciadores competitivos que lhes permita sustentar a sua posição num mercado cada vez mais globalizado, crescendo ou circunstancialmente ou em nichos que não fazem o volume que como país necessitamos para crescer saudavelmente por pelo menos uma década;
- os Portugueses consomem muito pouco de produção nacional, e esta também não para de cair nos bens essenciais;
- as condições de financiamento das pequenas e médias empresas têm vindo a degradar-se significativamente, sendo neste momento o crédito disponível escasso.
E nós ficamos a pensar, mas que desgraça!!! Será?
Há sempre duas perspectivas sobre estas notícias.
A primeira é que a situação em Portugal é de facto realmente muito grave. Sobretudo no comércio, onde as quebras no consumo são efectivamente violentas.
Mas se ainda estamos abertos ao público, poderemos ver o outro lado. Pensemos no mercado de acções. O segredo para grandes ganhos está em conseguir perceber quando um título que está em queda, está prestes a inverter essa tendência. Portanto comprar ou no fim da queda ou no início da subida é o grande desafio.
Alguém me dizia, ao ouvir estas péssimas notícias com que comecei o meu post de hoje, que estamos enquanto economia a chegar a este ponto de inversão.
Daí, se enquanto empresas tivermos condições para manter as portas abertas ao público mais uns meses, e tivermos conseguido manter um bom padrão de serviço e qualidade, provavelmente estaremos a caminho de finalmente poder respirar um pouco de uma queda de mercado que já vem desde 2006 sempre a acentuar-se.
A grande questão na cabeça de muitos é que neste momento já estão com resultados negativos, muitos já se estão a financiar em fornecedores para aguentar, e perguntam-se até onde vai o consumo contrair, quanto mais vão observar de reduções de facturação e por quanto mais tempo, e até que ponto conseguirão sobreviver. Já há muitos a fechar, e daí os fornecedores ou fecham mais as condições de pagamento para se proteger (caso tenham uma dimensão de mercado que lhes permita isso), ou arriscam-se a que com a quebra das empresas de consumo, haja um efeito dominó e fechem empresas em sequência nos segmentos B2B.
Com algumas economias do centro da Europa a dar sinais muito positivos, na medida em que Portugal exporta muito para essas economias, devermos começar a observar um crescimento das encomendas ao longo do primeiro semestre de 2011, que se traduzirá efectivamente em resultados no segundo semestre, o que deverá fazer com que Portugal feche 2011 efectivamente com resultados negativos, mas já numa rota de crescimento que deverá trazer o dinheiro ao bolso dos consumidores em 2012 e também ai finalmente o aliviar das condições das empresas de consumo.
Neste processo teremos, em minha opinião, a inversão da curva, e associado a isso, a concretização mais violenta da lei de Darwin: a selecção natural.
Isto levará a resistência e capacidade de adaptação das empresas para além de todos os limites, mas deixa-lhes a provocação de que se conseguirem, poderem apreciar o prémio de reinar num mercado em recuperação, com menos concorrentes que tinha à alguns anos atrás, e vir a apreciar um ciclo de alguns anos de crescimento. Claro, se forem um dos sobreviventes.
Se eu estiver errado e este ano não foi o ano da inversão da curva............ ai Portugal onde vais tu parar...... o futuro será negro, pois do que observo a estrutura económica e social está a chegar aos seus limites de resistência.
Claro que no meio disto tudo, criam-se excelentes oportunidades para quem tiver muito capital líquido para investir! Pois com o sufoco da quebra do consumo e pressão dos encargos bancários, há imensas empresas interessantes à beira da ruptura apenas por problemas de tesouraria.
Bem, uma coisa é certa: os próximos meses serão de muitas decisões. Que haja uma visão de país que nos conduza a todos num caminho de sustentabilidade, que olhando para a equação do PIB, não é difícil para qualquer leigo perceber que terá obrigatoriamente que passar por:
- aumento do consumo privado mas sem recurso a dívida externa;
- continuidade da contracção do consumo público para controlo do endividamento externo;
- continuação da aposta nas exportações como alavanca a um acelerar do crescimento;
- aumento da poupança nacional com vista a alavancar mais consumo privado sem que tenhamos endividamento externo;
- aumento da produção nacional, para suster um crescimento do consumo e uma redução das importações;
- ajudava um forte crescimento demográfico para termos mais cabeças a consumir e ser mais interessante produzir no mercado interno.
Com tudo isto, aqueles que como eu possuem empresas de comércio ou serviços para consumidores, poderiam efectivamente acreditar que haverá condições para evitar a emigração e envelhecer em Portugal e manter um negócio saudável.
O que acham?
Abraço e boas leituras!
Angatu
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
O Poder do Consumidor
Neste momento em que Portugal passa uma situação de pânico generalizado, em que os consumidores se retraem, e o consumo privado cai em muitos segmentos, as empresas desmultiplicam-se em esforços e estratégias para minimizar os danos, e conseguir manter os seus volumes de vendas.
Neste esforço, vemos todo o tipo de iniciativas, e a pergunta que todos fazem é sempre a mesma: que tácticas ou técnicas de marketing e vendas produzem os melhores resultados?
Muitos tentam forçar o consumidor a decisões de impulso num gabinete de vendas, outros por lhes dar mais descontos, outros por inventar mensagens mais apelativas.
Não tenho a fórmula mágica, mas sei que não se pode negligenciar o Poder do Consumidor.
É que ele tem o poder de decidir de compra ou não, o que compra, a quem compra, quando compra, como compra, e qualquer negócio só terá sucesso no médio longo prazo se for excelente em conhecer e compreender os seus consumidores, e depois em adaptar os seus processos as novas necessidades, desejos e comportamentos desses mesmos consumidores.
E aqui há que lembrar que hoje, mais que nunca na história, o poder dos consumidores é brutal. Com a facilidade oferecida pelas tecnologias de informação e comunicação, os consumidores têm um acesso a conhecimento, experiências, opiniões sobre um determinado tema como nunca tiveram.
E mesmo aqueles segmentos que utilizam menos estas tecnologias (faixa acima dos 60 anos de idade), são cada vez mais aconselhados por filhos e netos que fazem o estudo e prospecção online pelos pais ou avós.
Daí, cada vez se encontra menos o consumidor vulnerável, ignorante, entregue nas mãos do vendedor. E mesmo quando se encontram estes, cada vez mais trocar experiencias com amigos, e são exigentes nas suas experiências de compra, pelo que se se sentirem enganados, simplesmente deixarão de aparecer, e abandonarão o seu fornecedor na maior parte dos casos sem sequer lhe dar uma satisfação, e passando a alimentar uma reputação negativa do mesmo.
Cada vez mais temos consumidores informados, e estes são cada vez mais exigentes.
Assim, tácticas ou técnicas que levem os clientes a tomar opções em que não confiam, de que não se sentem seguros, levarão a níveis de reacções negativas como nunca antes vistas, ampliadas por todo esse poder que as tecnologias de informação e comunicação hoje têm.
Em Portugal, em muitos segmentos, devido à pouca dimensão do mercado, o fenómeno da reputação online ainda não tem o impacto que vemos por exemplo no Brasil ou Estados Unidos. Mas é um fenómeno crescente.
Daí, muitos fornecedores menos éticos, face ao conservadorismo do Português, e devido à sua dificuldade em manifestar as suas posições, ao seu estado de espírito de deixa andar, ainda conseguem sobreviver é crescer de uma forma considerada impossível em muitos livros de gestão americanos.
Portanto, hoje mais que nunca, se quer que o seu consumidor lhe dê valor enquanto fornecedor, dê também valor ao seu cliente. E dar valor não significa dar descontos financeiros! Pode dar-lhe valor por exemplo, dando-lhe mais informação do que é habitual durante a prestação de um determinado serviço, ajudando-o a compreender melhor o que lhe esta a ser feito e porquê.
Isso fará com que o cliente sinta que mais que lhe terem vendido algo, que lhe ensinaram algo, e o tornam mais informado e exigente, e desse modo lhe acrescentam valor.
Em resumo, tácticas de vendas que não sejam transparentes com os clientes, a médio prazo penalizarão quem as promove. Mesmo em Portugal em que a reacção do mercado a este tipo de práticas é mais lenta.
Acrescente valor, seja transparente, e seja aí sim, também exigente com o seu cliente. O cliente tem por objectivo ter o melhor serviço pelo melhor valor, e a empresa tem por objectivo servir o melhor possível os seus clientes por um valor adequado ao serviço prestado. Isso significa que é normal que haja um preço a cobrar ao cliente, e que ele não poderá esperar ter esse serviço com a qualidade adequada a um preço nulo ou excessivamente baixo.
Em tempos de crise, fazer guerras de preços ou venda de banha de cobra, apesar de poder dar um boom nas vendas a curto prazo, acabará por reduzir o tempo de vida da sua empresa.
Abraço!
Angatu
Neste esforço, vemos todo o tipo de iniciativas, e a pergunta que todos fazem é sempre a mesma: que tácticas ou técnicas de marketing e vendas produzem os melhores resultados?
Muitos tentam forçar o consumidor a decisões de impulso num gabinete de vendas, outros por lhes dar mais descontos, outros por inventar mensagens mais apelativas.
Não tenho a fórmula mágica, mas sei que não se pode negligenciar o Poder do Consumidor.
É que ele tem o poder de decidir de compra ou não, o que compra, a quem compra, quando compra, como compra, e qualquer negócio só terá sucesso no médio longo prazo se for excelente em conhecer e compreender os seus consumidores, e depois em adaptar os seus processos as novas necessidades, desejos e comportamentos desses mesmos consumidores.
E aqui há que lembrar que hoje, mais que nunca na história, o poder dos consumidores é brutal. Com a facilidade oferecida pelas tecnologias de informação e comunicação, os consumidores têm um acesso a conhecimento, experiências, opiniões sobre um determinado tema como nunca tiveram.
E mesmo aqueles segmentos que utilizam menos estas tecnologias (faixa acima dos 60 anos de idade), são cada vez mais aconselhados por filhos e netos que fazem o estudo e prospecção online pelos pais ou avós.
Daí, cada vez se encontra menos o consumidor vulnerável, ignorante, entregue nas mãos do vendedor. E mesmo quando se encontram estes, cada vez mais trocar experiencias com amigos, e são exigentes nas suas experiências de compra, pelo que se se sentirem enganados, simplesmente deixarão de aparecer, e abandonarão o seu fornecedor na maior parte dos casos sem sequer lhe dar uma satisfação, e passando a alimentar uma reputação negativa do mesmo.
Cada vez mais temos consumidores informados, e estes são cada vez mais exigentes.
Assim, tácticas ou técnicas que levem os clientes a tomar opções em que não confiam, de que não se sentem seguros, levarão a níveis de reacções negativas como nunca antes vistas, ampliadas por todo esse poder que as tecnologias de informação e comunicação hoje têm.
Em Portugal, em muitos segmentos, devido à pouca dimensão do mercado, o fenómeno da reputação online ainda não tem o impacto que vemos por exemplo no Brasil ou Estados Unidos. Mas é um fenómeno crescente.
Daí, muitos fornecedores menos éticos, face ao conservadorismo do Português, e devido à sua dificuldade em manifestar as suas posições, ao seu estado de espírito de deixa andar, ainda conseguem sobreviver é crescer de uma forma considerada impossível em muitos livros de gestão americanos.
Portanto, hoje mais que nunca, se quer que o seu consumidor lhe dê valor enquanto fornecedor, dê também valor ao seu cliente. E dar valor não significa dar descontos financeiros! Pode dar-lhe valor por exemplo, dando-lhe mais informação do que é habitual durante a prestação de um determinado serviço, ajudando-o a compreender melhor o que lhe esta a ser feito e porquê.
Isso fará com que o cliente sinta que mais que lhe terem vendido algo, que lhe ensinaram algo, e o tornam mais informado e exigente, e desse modo lhe acrescentam valor.
Em resumo, tácticas de vendas que não sejam transparentes com os clientes, a médio prazo penalizarão quem as promove. Mesmo em Portugal em que a reacção do mercado a este tipo de práticas é mais lenta.
Acrescente valor, seja transparente, e seja aí sim, também exigente com o seu cliente. O cliente tem por objectivo ter o melhor serviço pelo melhor valor, e a empresa tem por objectivo servir o melhor possível os seus clientes por um valor adequado ao serviço prestado. Isso significa que é normal que haja um preço a cobrar ao cliente, e que ele não poderá esperar ter esse serviço com a qualidade adequada a um preço nulo ou excessivamente baixo.
Em tempos de crise, fazer guerras de preços ou venda de banha de cobra, apesar de poder dar um boom nas vendas a curto prazo, acabará por reduzir o tempo de vida da sua empresa.
Abraço!
Angatu
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Top Posts de 2010 - as vossas escolhas
Passado um ano, é com satisfação que olho para trás e vejo um objectivo cumprido.
Em 2010, postei um total de 25 textos, escrevendo sobre os diversos temas que me assaltam, sobre a gestão das pequenas empresas em Portugal, e em especial sobre empresas integradas em redes de franchising.
Comecei por escrever dirigido à equipa que comigo tem trabalhado nos projectos empresariais que liderei, mas o tempo, as experiências vividas e as interpelações recebidas, fizeram-me alargar o horizonte, e utilizar este espaço também como partilha das minhas experiências, com textos dirigidos a actuais e potenciais pequenos empresários e franchisados, no sentido de os alertar para alguns dos erros que eu próprio cometi, ou erros que tomei conhecimento de outros pequenos empresários, partilhando aqui as nossas lições aprendidas num intuito de por esta via dar o meu contributo cívico para a melhoria da situação económica portuguesa, da qualidade da gestão, e do sucesso dos pequenos projectos que todos os dias vemos nascer.
O volume de leitores têm-me vindo a surpreender, não só pela quantidade, mas sobretudo pela dispersão geográfica. Efectivamente, a internet abre-nos ao mundo, e vi o meu blog ser lido neste primeiro ano da sua vida, em 10 países nos 4 cantos do mundo.
Como tributo a todos vós que visitaram o meu blog neste ano de 2010, deixo-vos aqui no inicio de 2011 o top dos posts mais lidos, para que aqueles de vós que não os tenham acompanhado, vejam o que mais tem despertado interesse na comunidade de internautas entre as ideias que tenho vindo a partilhar.
Agradeço os contributos, perguntas e sugestões que tenho recebido, e o meu desejo para 2011 é que eles se multipliquem não só entre os meus conhecidos, mas sobretudo entre os anónimos que me têm lido.
Fica então o top, que estou certo ter ideias que poderão representar contributos importantes no sentido de entender o que é preciso fazer em Portugal para como País darmos a volta por cima.
1º O que faz um gestor operacional
2º "Confiança" e o seu papel no sucesso empresarial
3º O custo da Justiça ao serviço dos incumpridores
Abraço,
Angatu
Em 2010, postei um total de 25 textos, escrevendo sobre os diversos temas que me assaltam, sobre a gestão das pequenas empresas em Portugal, e em especial sobre empresas integradas em redes de franchising.
Comecei por escrever dirigido à equipa que comigo tem trabalhado nos projectos empresariais que liderei, mas o tempo, as experiências vividas e as interpelações recebidas, fizeram-me alargar o horizonte, e utilizar este espaço também como partilha das minhas experiências, com textos dirigidos a actuais e potenciais pequenos empresários e franchisados, no sentido de os alertar para alguns dos erros que eu próprio cometi, ou erros que tomei conhecimento de outros pequenos empresários, partilhando aqui as nossas lições aprendidas num intuito de por esta via dar o meu contributo cívico para a melhoria da situação económica portuguesa, da qualidade da gestão, e do sucesso dos pequenos projectos que todos os dias vemos nascer.
O volume de leitores têm-me vindo a surpreender, não só pela quantidade, mas sobretudo pela dispersão geográfica. Efectivamente, a internet abre-nos ao mundo, e vi o meu blog ser lido neste primeiro ano da sua vida, em 10 países nos 4 cantos do mundo.
Como tributo a todos vós que visitaram o meu blog neste ano de 2010, deixo-vos aqui no inicio de 2011 o top dos posts mais lidos, para que aqueles de vós que não os tenham acompanhado, vejam o que mais tem despertado interesse na comunidade de internautas entre as ideias que tenho vindo a partilhar.
Agradeço os contributos, perguntas e sugestões que tenho recebido, e o meu desejo para 2011 é que eles se multipliquem não só entre os meus conhecidos, mas sobretudo entre os anónimos que me têm lido.
Fica então o top, que estou certo ter ideias que poderão representar contributos importantes no sentido de entender o que é preciso fazer em Portugal para como País darmos a volta por cima.
1º O que faz um gestor operacional
2º "Confiança" e o seu papel no sucesso empresarial
3º O custo da Justiça ao serviço dos incumpridores
Abraço,
Angatu
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